III - ÁTRIOS DA PROTOCONSCIÊNCIA
Já sabemos que a energia é materializável e que a matéria é desintegrável em energia; que
há evidentes semelhanças entre um
fóton e um grão de matéria; que os grãos
de matéria, em seu movimento, são
acompanhados de ondas; que tanto a
energia radiante, quanto a matéria, se constituem de associações de ondas e corpúsculos; que a evolução é irreversível; que, em todos os níveis e
dimensões, o superior sempre se
sobrepõe ao inferior; que a superioridade evolutiva implica maior
complexidade estrutural e, portanto,
mais aprimorada sensibilidade; que toda
matéria tem o seu anverso antimaterial; que os diversos planos de
uma mesma realidade se transfundem e se interam; que o nosso universo é apenas uma ilha no infinito dos Universos da Criação Divina; que mesmo em nosso
pequeno Sistema Solar está nascendo um novo Sol; átomos não são coisas e
que o mundo é muito mais “um
grande pensamento do que uma grande
máquina”; que não há somente um espaço-tempo e que existem insuspeitadas
dimensões além das nossas.
Poderíamos, portanto, seguir adiante,
mas, antes disso, acabemos de vez com algum resto de ilusão dos que
ainda acreditam em solidez da
matéria. Demos a palavra ao Professor BOUTARIC, da Faculdade de Ciências
de Dijon, para que ele fale, através de alguns trechos de seu livro “Matéria,
Eletricidade e Energia”: - “A massa de um corpo, sendo apenas uma forma de
energia, só permanece constante se o corpo não troca com o exterior
nenhuma outra forma de energia, de modo que a lei da conservação da
massa aparece apenas como um caso particular do principio da conservação da
energia.
(...) Nenhum sólido tem uma massa absolutamente invariável; com um
esforço suficiente, podemos sempre provocar nele uma deformação permanente,
isto é, que subsiste após suprimida a ação mecânica que a engendrou. Sob
pressões muito fortes, um metal escorre através de um estreito orifício,
tomando a forma de verdadeiras gotas, como faria um líquido; tal operação é
conhecida sob o nome de extrusão. (...) Não
há nenhuma linha nítida de demarcação entre os diversos estados físicos dos
corpos. (...) A era das discussões provocadas pela concepção descontinua da
matéria parece definitivamente encerrada. (...) A matéria constituiria apenas
uma forma particular da energia, amiúde chamada energia de massa. (...) Nas mais
das vezes, a matéria e a energia apresentam-se intimamente associadas, sendo a
matéria um veiculo e até um reservatório de energia. Entretanto, na energia
radiante, todo suporte material desaparece. (...) O principio da conservação da
energia não se aplica apenas aos fenômenos físicos, mas também às relações químicas,
e seu domínio estende-se à Biologia, pois rege todas as transformações que
ocorrem no interior dos seres vivos.”
Chama-se comumente de matéria a tudo o
que tem volume e massa, compreendendo-se nessa definição os sólidos e os
fluidos. Os sólidos caracterizam-se pela coesão de suas moléculas
constitutivas, sempre maior do que as repulsões eventualmente existentes entre
elas; pela disposição espacial regular de suas partículas; por sua forma
própria e definida; por sua rigidez e elasticidade e por sua pequena compressibilidade.
Isso, em termos, porque só o cristal tem rede regular, enquanto, em geral, a
estrutura dos sólidos é policristalina, formada por cristalículos justapostos.
E há também os sólidos vítreos, de estrutura não-cristalina. Já vimos que essas
características dos sólidos são muito relativas e agora acrescentaremos que o fenômeno da coesão, que dá à matéria a
consistência rígida que ela ostenta, decorre das forças de atração entre as
moléculas, os átomos ou os íons que formam um corpo e tem origem eletromagnética.
Chamam-se de fluidos os líquidos e os gases, estes últimos geralmente
denominados fluidos elásticos, por sua grande compressibilidade. Há,
porém, um tipo especial e superior de gás, o plasma, que se forma quando todos
os átomos ou moléculas neutras, sob poderosa excitação elétrica, são transformados
em pigmentos carregados de íons ou elétrons.
Notemos agora, para usar novamente
palavras de BOUTARIC, que “estabelecendo uma lista de todas as substâncias, na
ordem decrescente de suas resistências às deformações, passaremos, por graus insensíveis,
dos corpos sólidos bem caracterizados aos líquidos mais móveis, sem que seja
possível especificar, em nenhum momento, onde termina o estado sólido e onde
começa o estado líquido, isto é, o ponto de separação entre os dois estados.
Igualmente, se fizermos variar de forma conveniente a temperatura e a pressão,
podemos levar uma substância, por uma sucessão de estados homogêneos e por graus
insensíveis, de um estado em que ela apresenta propriedades atribuídas
comumente aos gases, a outro em que possui as de um líquido”.
Assim, toda matéria, em qualquer de seus
estados relativos, é apenas matéria, isto é, apenas energia condensada, ou, mais simplesmente, apenas energia,
formada de moléculas, que se constituem de átomos - conjuntos eletricamente
neutros, cuja carga elétrica negativa da nuvem eletrônica equivale à carga elétrica
positiva do núcleo. Chegamos, desse
modo, ao puro domínio da energia.
Até agora, a ciência humana terrestre
parece não ter para a energia melhor definição do que esta: “a capacidade que
possui um corpo, ou um sistema, de produzir trabalho”. Capacidade é noção demasiado vaga, que a rigor nada define. É que a
natureza intrínseca da energia é ainda ignorada pelo homem. Um dia, porém, ele
descobrirá que essa “capacidade” é a “secreção” mental por excelência;
basicamente, a emanação primária de Deus Criador e,
por extensão, a emanação de cada criatura; é a “matéria-prima substancial”, o “ar”
dos Universos, a “água” do infinito oceano cósmico, o “éter primacial”. A Ciência a conhece pelas suas formas de manifestação e a chama de
potencial, cinética, térmica, mecânica, luminosa, eletromagnética,
gravitacional, atômica, sonora, de ativação, de dissociação, de ionização, de
ligação, de permuta, de recuo, etc. Entretanto, nada sabe, por ora, da energia
mental, do mesmo modo que também nós nada sabemos da Energia Divina.
Retomemos, porém, o fio da meada. Do
mesmo modo como “não há nenhuma linha nítida de demarcação entre os diversos
estados físicos dos corpos”, também não há nenhuma linha nítida de demarcação
entre matéria e energia. Elas na verdade se associam,
se continuam e são essencialmente uma só coisa, mas uma coisa que evolui, que se apura, que se torna capaz de
conquistar uma primitiva dimensão
espacial, adquirir movimento e, com o movimento, uma nova dimensão temporal. Como disse JEAN PERRIN referindo-se ao
movimento browniano, “o repouso que parece caracterizar um fluido em equilíbrio
não passa de uma ilusão, devida à imperfeição de nossos sentidos e corresponde
de fato a um certo regime permanente de violenta agitação”. Essa agitação, já
apreciável nos líquidos, atinge grandes proporções nos gases e um portentoso
clímax nos plasmas, que, atingindo temperaturas altíssimas, da ordem de cem
milhões de graus Celsius, só limem ser contidos por potentíssimos campos
magnéticos.
(Áureo, Universo e Vida)
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