Uma microscópica visão sobre o Espiritismo

A Doutrina Espírita não tem o caráter isolado de uma Religião, de uma Filosofia ou de uma Ciência, pois ela é, simultaneamente, essa tríade: Filosofia, Ciência e Religião. Se tirarmos um desses elementos da Doutrina dos Espíritos (como a chamava Léon Denis), já não há mais Espiritismo. E ela - é importante ressaltar - não é uma invenção do senhor Allan Kardec, pois tem a característica da impessoalidade. Ele foi o Codificador. Nas palavras dele:

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"Há entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos esta diferença capital; que estes são todos obra de homens, mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribuís, eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio.
Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz; nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade?
O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos." (Allan Kardec, O que é o Espiritismo)."
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Este blog visa contribuir com as reflexões sobre a Doutrina Espírita com textos meus e de autores que admiro. Não pretendo com isso exaltar minha personalidade, embora eu vá publicar aqui as datas de algumas palestras minhas (isto por conta de pedido de amigos), mas também de outros colaboradores do espiritismo e de eventos espíritas em Goiânia e fora daqui.
Aqueles que visitarem, sejam bem vindos!


"A maior caridade que podemos fazer pela doutrina espírita é sua divulgação." -Emmanuel-

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Elucidações Sobre Matéria e Energia (Palavras de Áureo)


III - ÁTRIOS DA PROTOCONSCIÊNCIA


Já sabemos que a energia é materializável e que a matéria é desintegrável em energia; que há evidentes semelhanças entre um fóton e um grão de matéria; que os grãos de matéria, em seu movimento, são acompanhados de ondas; que tanto a energia radiante, quanto a matéria, se constituem de associações de ondas e corpúsculos; que a evolução é irreversível; que, em todos os níveis e dimensões, o superior sempre se sobrepõe ao inferior; que a superioridade evolutiva implica maior complexidade estrutural e, portanto, mais aprimorada sensibilidade; que toda matéria tem o seu anverso antimaterial; que os diversos planos de uma mesma realidade se transfundem e se interam; que o nosso universo é apenas uma ilha no infinito dos Universos da Criação Divina; que mesmo em nosso pequeno Sistema Solar está nascendo um novo Sol; átomos não são coisas e que  o mundo é muito mais “um grande pensamento do que uma grande máquina”; que não há somente um espaço-tempo e que existem insuspeitadas dimensões além das nossas.
Poderíamos, portanto, seguir adiante, mas, antes disso, acabemos de vez com algum resto de ilusão dos que ainda acreditam em solidez da matéria. Demos a palavra ao Professor BOUTARIC, da Faculdade de Ciências de Dijon, para que ele fale, através de alguns trechos de seu livro “Matéria, Eletricidade e Energia”: - “A massa de um corpo, sendo apenas uma forma de energia, só permanece constante se o corpo não troca com o exterior nenhuma outra forma de energia, de modo que a lei da conservação da massa aparece apenas como um caso particular do principio da conservação da energia.
(...) Nenhum sólido tem uma massa absolutamente invariável; com um esforço suficiente, podemos sempre provocar nele uma deformação permanente, isto é, que subsiste após suprimida a ação mecânica que a engendrou. Sob pressões muito fortes, um metal escorre através de um estreito orifício, tomando a forma de verdadeiras gotas, como faria um líquido; tal operação é conhecida sob o nome de extrusão. (...) Não há nenhuma linha nítida de demarcação entre os diversos estados físicos dos corpos. (...) A era das discussões provocadas pela concepção descontinua da matéria parece definitivamente encerrada. (...) A matéria constituiria apenas uma forma particular da energia, amiúde chamada energia de massa. (...) Nas mais das vezes, a matéria e a energia apresentam-se intimamente associadas, sendo a matéria um veiculo e até um reservatório de energia. Entretanto, na energia radiante, todo suporte material desaparece. (...) O principio da conservação da energia não se aplica apenas aos fenômenos físicos, mas também às relações químicas, e seu domínio estende-se à Biologia, pois rege todas as transformações que ocorrem no interior dos seres vivos.”
Chama-se comumente de matéria a tudo o que tem volume e massa, compreendendo-se nessa definição os sólidos e os fluidos. Os sólidos caracterizam-se pela coesão de suas moléculas constitutivas, sempre maior do que as repulsões eventualmente existentes entre elas; pela disposição espacial regular de suas partículas; por sua forma própria e definida; por sua rigidez e elasticidade e por sua pequena compressibilidade. Isso, em termos, porque só o cristal tem rede regular, enquanto, em geral, a estrutura dos sólidos é policristalina, formada por cristalículos justapostos. E há também os sólidos vítreos, de estrutura não-cristalina. Já vimos que essas características dos sólidos são muito relativas e agora acrescentaremos que o fenômeno da coesão, que dá à matéria a consistência rígida que ela ostenta, decorre das forças de atração entre as moléculas, os átomos ou os íons que formam um corpo e tem origem eletromagnética. Chamam-se de fluidos os líquidos e os gases, estes últimos geralmente denominados fluidos elásticos, por sua grande compressibilidade. Há, porém, um tipo especial e superior de gás, o plasma, que se forma quando todos os átomos ou moléculas neutras, sob poderosa excitação elétrica, são transformados em pigmentos carregados de íons ou elétrons.
Notemos agora, para usar novamente palavras de BOUTARIC, que “estabelecendo uma lista de todas as substâncias, na ordem decrescente de suas resistências às deformações, passaremos, por graus insensíveis, dos corpos sólidos bem caracterizados aos líquidos mais móveis, sem que seja possível especificar, em nenhum momento, onde termina o estado sólido e onde começa o estado líquido, isto é, o ponto de separação entre os dois estados. Igualmente, se fizermos variar de forma conveniente a temperatura e a pressão, podemos levar uma substância, por uma sucessão de estados homogêneos e por graus insensíveis, de um estado em que ela apresenta propriedades atribuídas comumente aos gases, a outro em que possui as de um líquido”.
Assim, toda matéria, em qualquer de seus estados relativos, é apenas matéria, isto é, apenas energia condensada, ou, mais simplesmente, apenas energia, formada de moléculas, que se constituem de átomos - conjuntos eletricamente neutros, cuja carga elétrica negativa da nuvem eletrônica equivale à carga elétrica positiva do núcleo. Chegamos, desse modo, ao puro domínio da energia.
Até agora, a ciência humana terrestre parece não ter para a energia melhor definição do que esta: “a capacidade que possui um corpo, ou um sistema, de produzir trabalho”. Capacidade é noção demasiado vaga, que a rigor nada define. É que a natureza intrínseca da energia é ainda ignorada pelo homem. Um dia, porém, ele descobrirá que essa “capacidade” é a “secreção” mental por excelência; basicamente, a emanação primária de Deus Criador e, por extensão, a emanação de cada criatura; é a “matéria-prima substancial”, o “ar” dos Universos, a “água” do infinito oceano cósmico, o “éter primacial”. A Ciência a conhece pelas suas formas de manifestação e a chama de potencial, cinética, térmica, mecânica, luminosa, eletromagnética, gravitacional, atômica, sonora, de ativação, de dissociação, de ionização, de ligação, de permuta, de recuo, etc. Entretanto, nada sabe, por ora, da energia mental, do mesmo modo que também nós nada sabemos da Energia Divina.
Retomemos, porém, o fio da meada. Do mesmo modo como “não há nenhuma linha nítida de demarcação entre os diversos estados físicos dos corpos”, também não há nenhuma linha nítida de demarcação entre matéria e energia. Elas na verdade se associam, se continuam e são essencialmente uma só coisa, mas uma coisa que evolui, que se apura, que se torna capaz de conquistar uma primitiva dimensão espacial, adquirir movimento e, com o movimento, uma nova dimensão temporal. Como disse JEAN PERRIN referindo-se ao movimento browniano, “o repouso que parece caracterizar um fluido em equilíbrio não passa de uma ilusão, devida à imperfeição de nossos sentidos e corresponde de fato a um certo regime permanente de violenta agitação”. Essa agitação, já apreciável nos líquidos, atinge grandes proporções nos gases e um portentoso clímax nos plasmas, que, atingindo temperaturas altíssimas, da ordem de cem milhões de graus Celsius, só limem ser contidos por potentíssimos campos magnéticos.

(Áureo, Universo e Vida)

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