Uma microscópica visão sobre o Espiritismo

A Doutrina Espírita não tem o caráter isolado de uma Religião, de uma Filosofia ou de uma Ciência, pois ela é, simultaneamente, essa tríade: Filosofia, Ciência e Religião. Se tirarmos um desses elementos da Doutrina dos Espíritos (como a chamava Léon Denis), já não há mais Espiritismo. E ela - é importante ressaltar - não é uma invenção do senhor Allan Kardec, pois tem a característica da impessoalidade. Ele foi o Codificador. Nas palavras dele:

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"Há entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos esta diferença capital; que estes são todos obra de homens, mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribuís, eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio.
Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz; nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade?
O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos." (Allan Kardec, O que é o Espiritismo)."
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Este blog visa contribuir com as reflexões sobre a Doutrina Espírita com textos meus e de autores que admiro. Não pretendo com isso exaltar minha personalidade, embora eu vá publicar aqui as datas de algumas palestras minhas (isto por conta de pedido de amigos), mas também de outros colaboradores do espiritismo e de eventos espíritas em Goiânia e fora daqui.
Aqueles que visitarem, sejam bem vindos!


"A maior caridade que podemos fazer pela doutrina espírita é sua divulgação." -Emmanuel-

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Uma visão geral de Deus em Pietro Ubaldi

[A maioria das pessoas falam de Deus como se fala de um homem cheio de paixões e vontades excêntricas. Esse ser que assim nos referimos não pode de ser Deus, é uma projeção de nossas vaidades e imperfeições. Para esclarecer melhor sobre Deus colocamos abaixo algumas afirmações de Pietro Ubaldi, em suas várias obras, sobre este tema. São Ensinos fantásticos e os que achamos mais profundos e importantes tomamos a liberdade de deixamos em negrito para o leitor].

- Textos retirados do livro Antologia Conceitual de Pietro Ubaldi. Autor: José Lopes do Sacramento - 



DEUS

1 - centro conceptual do universo - N, IV, 6
2 - a evolução da idéia de Deus é paralela à evolução humana - N,IV,12
4 - Deus não pode ser definido...  Não se podem conjugar os conceitos de Deus e de pessoa, de vez que este é circunscrição de individualidade e o infinito não pode ser circunscrito. Não se pode chegar a Deus por argumentações, porque Ele está acima de todo raciocínio. Deus não se demonstra: sente-se. Não se pode chegar a Deus mediante pura multiplicação de atributos humanos - AM, XII, 6
5 - Assim aparece Deus na alma... No plano racional, a razão procura Deus, mas, na análise, não O encontra (ciência); no plano intuitivo, Deus aparece na mente, mas somente como conceito; no plano místico, Deus aparece na consciência como sensação total interior - AM, VIII, 1
7 - Em Deus tudo resplandece numa alegria infinita, repousa numa harmonia suprema - AM,XXI,final
8 - a evolução é apenas a expansão de consciência, sobretudo nos planos internos do eu, que são os planos superiores. Deus, que é a sua meta, está de fato no interior de nós - HH, XIII, 15
9 - Deus é invisível e irreal sobre a terra. Quanto mais se desce para o humano, mais sua imagem se reduz, apagada, antropomorficamente diminuída, mas tornando-se compreensível, acessível e confortante - HH,XXV,19
10 - Se às vezes alguém nega a Deus é porque Deus existe e de Sua existência não existe prova maior do que essa negação. Não se pode conceber e negar o que não existe - NCTM, I, 17
11 - Para estarmos em comunhão com Deus também se torna necessário arder de entusiasmo e pregar, sofrer e intuir, desprender-se e amar - NCTM, VIII, 3
13 - A visão das grandes coisas de Deus escapa a quem olha de muito perto as pequenas coisas humanas - NCTM, IX, 7
14 - Todas as coisas se movem e se mantêm permanentemente vivas por causa dessa inexaurível fonte interior que se chama Deus, centro dinâmico e conceitual do universo - NCTM, XV, 3
15 - quando (o homem) se civilizou a ponto de a força não precisar mais obrigá-lo ao cumprimento da própria Lei, só então pode a Lei abrir-nos os braços e o Deus da vingança tornar-se o Deus do amor. Isso aconteceu primeiro com Cristo e acontece agora - NCTM, XIX, 12
16 - Temos necessidade não só de um Deus que é causa transcendental e longínqua, mas sobretudo deste Deus atual, imanente e presente.... Não é, nem pode ser, um pai inatingível, por si mesmo triunfante nos céus, colocado numa distância insuperável - NCTM, XXX, 15
17 - O homem não pode... definir Deus. Não o pode, porque o próprio conceito de definição pertence ao seu mundo finito, que não é o infinito, daí querer definir Deus, isto é, o infinito, se torna uma contradição e um absurdo - PF, XV, 4
18 - Nas suas definições, o homem não define Deus, mas a si mesmo - PF, XV, 5
19 - Chegar ao conceito de Deus significa haver resolvido o problema do conhecimento, dominar a visão do universo - PF, XV, 7
21 - Deus é, ainda, a alma que rege o atual universo, fundida nele, sempre aí presente e ativa, com uma criação contínua que chamamos evolução - PF, XV, 15
22 - O princípio da imanência nos diz que se do universo tirarmos Deus, resta um cadáver. Mas, o princípio da transcendência nos diz que, se Deus se desliga do seu universo, isto é, da sua atual forma de manifestação, Ele pode, todavia, se expressar em infinitos outros universos - PF, XV, 15
24 - como o pensamento humano passou da idéia politeísta a monoteísta, agora passa da monoteísta, isto é, a de um Deus só, mas distinto do Seu universo, à monista, em que Deus é tudo, também o universo - PF, XV, 26
26 - Antes da criação, Deus era o todo e perfeito, mas lhe faltava a explicação do amor. Ele estava sozinho - PF, XV, 30
27 - Se no Seu aspecto transcendente Ele é separável, independente da criação, imensamente distante de nós, no seu aspecto imanente, Ele está fundido e presente na criação, imensamente perto de nós - PF, XV, 32
29 - a manifestação de Deus é progressiva, proporcionada ao grau de evolução alcançado (pelo ser) - PF, XV, 32
30 - Criador e Criação devem formar uma só unidade porque qualquer cisão anularia essa unidade do todo - PF, XVI, 1
33 - também Deus é egoísta no seu universo. Mas o Seu egoísmo é tão altruisticamente amplo que compreende todas as criaturas - PF, XVI, 13
34 - havemos chegado racionalmente mais perto de Deus com o haver compreendido que Ele, na sua essência, é um incognoscível - PF, XX, 11
41 - Deus deixa ao homem a liberdade de amá-lo ou repudiá-lo. Não o constringe. Ele quer ser amado espontânea e livremente, não por coação, mas por compreensão - AH, XVIII, 7
44 - Conceber Deus com uma nova aproximação de precisão e profundidade; senti-lo presente, não mais vaga e instintivamente como na primordial fase pré-racional, mas ostentando todo o poder da fase racional, por tê-la atravessado, assimilado e superado; sentir Deus por intuição de fé confirmada e compreendida por consciência analítica e racional; usar o eu científico moderno, sem diminuí-lo, com toda a sua razão intacta, diante de Deus - esta é a grande orientação e conquista biológica do homem de amanhã - AH, XXIII, 8
47 - Em Deus, o egocentrismo representa um egoísmo tão amplo que abraça todas as criaturas, tudo o que existe, de modo a coincidir com o máximo altruísmo - DU, III, 7
50 - Deus, causa primeira sem causa, não tem princípio nem fim e tudo gera sem ter sido gerado. Deus simplesmente: "é", e tudo Ele "é", não encerrado no limite de nenhuma dimensão - DU,VIII,9
51 - se encarado do seio do nosso universo, Deus pode parecer à criatura como imanente ou como transcendente; não é exclusivamente imanente nem exclusivamente transcendente - DU, VIII, 12
53 - Deus, que se encontra em nosso íntimo, vive tão junto de nós, que partilha conosco as nossas alegrias (imanência), e sofre as nossas penas. A nossa inconsciência, treva do espírito, impede-nos perceber esta realidade. Basta, porém, o despertar da alma para se sentir invadida pela universal presença de Deus - DU, XIV, 19
57 - Caberia... ainda objetar: mas então o universo físico é o corpo de Deus? De novo respondemos: E que é o corpo para a alma, senão o seu veículo e meio de expressão? - DU, XVII, 15
59 - Deus não pode ser definido, porque no infinito Ele simplesmente "é". Deus significa existir. Ele é a essência da vida. Tudo o que existe é vida, isto é, Deus. E Deus é tudo o que existe, que é vida. Deus é o ser, sem atributos e sem limites - S, II, 10
60 - só sabemos conceber Deus como uma negação de tudo o que constitui nosso mundo - S, II, 12
62 - Chegamos... a um conceito de Deus que se avizinha da abstração a que está chegando a ciência moderna: um Deus inteligência e pensamento, um Deus-Lei, que tudo dirige de dentro dos fenômenos - S,VII,32
63 - Não é verdade que Deus possa tudo caprichosamente. Há coisas que Ele não pode fazer. Assim, por exemplo, Ele deve manter-se com as Suas qualidades, coerente com a Sua posição; não pode violar Sua Lei, porque renegaria a Si mesmo, e Ele não pode contradizer-se - S, XIV, 2
64 - Poder-se-ia dizer que o ateísmo representa uma das provas da existência de Deus. O ateísmo é uma negação que presume a afirmação, e que só em função dela pode existir. A negação presume e prova a afirmação... S, XVIII, 33 (é a negação que conduz à afirmação, e é a afirmação que implica a possibilidade da negação - id. 31)
65 - estamos imersos no pensamento de Deus como os peixes no mar, pois o pensamento de Deus é onipresente, penetra tudo e é ele que constitui o Sistema - S,"Conclusão",37
70 - Ele é causa e como tal não pode descer no terreno dos efeitos, mas somente manobrá-los da profundeza onde Ele está situado - GB,V,42
75 - é natural que o Deus fabricado para uso eclesiástico não possa ser universal, mas limita-se aos interesses do grupo (igreja) - TFLD,IV,12
77 - Deus é o todo. Se houvesse alguma coisa fora Dele, não seria mais Deus - TFLD, XIV, 1
85 - Uma concepção antropomórfica da divindade é necessária para as massas subdesenvolvidas que, para poder imaginá-la, precisam reduzi-la a seu nível mental - TFLD, "Conclusão”, 5
88 - O homem acabou criando para si um Deus à sua imagem e semelhança, conforme a sua forma mental e instintos - QS, V, 10
96 - Deus existe. Uma prova poderia ser a que nos é oferecida pelo materialismo ateu que O nega. Assim como a sombra implica a presença da luz, também a negação pressupõe a existência do que se nega. Só se pode afirmar a não existência daquilo que sabemos que existe - PNE, I, 1
97 - Deus está acima de toda a nossa afirmação ou negação - PNE,I,2
106 - o Deus de dimensões cósmicas que a ciência nos faz hoje entrever não pode ficar limitado a uma concepção antropomórfica, como querem algumas religiões - DI, IV, II, 53
107 -... é absurdo negar a existência de Deus... De uma coisa que verdadeiramente não existe, não se possui sequer a idéia, e quando se nega a existência, é porque essa coisa é conhecida, o que significa que ela existe. E quanto mais se nega a existência , tanto mais o próprio fato de negá-la prova que ela existe - DI,VI,2
115 - com Deus se fala sozinho, que o verdadeiro diálogo é feito somente com Ele, sem ministros intermediários, livre de qualquer opressão de consciência - DSC, VII, 27
123 - o conceito de Deus-Lei é muito mais avançado do que o atual de Deus antropomórfico, e oferece a vantagem de que com Ele não são admissíveis acomodações e hipocrisias - DSC, XII, 41
131 - Uma encarnação de Deus, isto é, de todo o S, num ser humano é coisa inimaginável - C, VIII, 6

Um comentário:

  1. Onde encontrar esse livro do autor? josé lopes do sacramento?
    Délzio de Recife.
    albuquerquedelzio@gmail.com

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