Consciência é consciência do eu. Pode-se afirmar
que não há propriamente uma
consciência, mas sim um campo de
acesso pelo eu. Esse
campo varia para cada indivíduo de acordo com suas capacidades
evolutivas. Por outro lado o inconsciente seria a parte do ser humano
não acessível ao eu, portanto fora do campo da consciência. Em conseqüência
consciente e inconsciente se referem a um único todo.
A consciência, como o inconsciente, é uma espécie de
filtro de entrada e saída de registros informacionais e de sentimentos.
Não são campos reais, mas virtuais, pois não se tratam de entes
materiais e estáticos. Contêm registros que se perderão ao longo da evolução do Espírito.
Não se situam no Espírito, mas nas ‘camadas’ superficiais e profundas do
perispírito e são acessáveis por mecanismos
sutis desenvolvidos nas experiências de contato com a matéria.
O termo inconsciente é incompleto e indefinido, pois pretende conceituar algo negando
outro. É como querer descrever uma cadeira dizendo que ela não é uma
mesa. O inconsciente é, no entanto, a
expressão usual para designar a codificação
transitória das experiências que o ser espiritual, encarnado ou desencarnado, vive na sua relação com o mundo. Ela pertence ao domínio
perispiritual que se estrutura
em redes conectadas por “nós” emocionais.
O termo inconsciente é, de certa forma, inapropriado
para designar seu conteúdo, visto que se trata de uma negação de
algo (in = não), portanto não define a si mesmo. Os conteúdos não são de
fato conscientes. Mas para quem? Não são conscientes para o ego,
mas o são para o Espírito. O
que é chamado de inconsciente é tudo que se constitui das experiências e
de seus resíduos já vividos e disponíveis ao Espírito.
Sobre o inconsciente Jung escreveu: “Assim definido,
o inconsciente descreve um estado de coisas extremamente fluido: tudo o
que sei, mas que no momento não estou pensando; tudo aquilo de que antes
eu tinha consciência, mas de que agora me esqueci; tudo o que é
percebido pelos meus sentidos, mas que não foi notado pela minha mente
consciente; tudo aquilo que, involuntariamente e sem prestar a atenção,
sinto, penso, recordo, quero e faço; todas as coisas futuras que estão
tomando forma em mim e que em algum momento chegarão à consciência: tudo
isto é o conteúdo do inconsciente.” Jung dizia também que “a consciência
não se cria a si mesma; emana de profundezas
desconhecidas.”
O ego, usando o campo da consciência,
acessa-a por comparação. Nesse momento ele se torna dual. O inconsciente é uno,
constituindo-se num todo dinâmico. O ego apenas acessa
sua superfície, onde se encontram os eventos mais
recentes. O inconsciente é uma instância com raízes no perispírito. A lógica
que vigora no inconsciente é não-linear e é estruturada diversamente daquela
que pertence à consciência. O paradigma no inconsciente é emocional, enquanto
que na consciência é cognitivo.
Tudo
que é consciente se torna inconsciente. É uma tendência inata (funcional) ao
automatismo dos processos inconscientes. A repetição de experiências induz ao automatismo.
A consciência, por sua vez, é produto da evolução do Espírito que, nos
primórdios de sua caminhada evolutiva, é “inconsciente pleno”, isto é, uma
estrutura que vai aos poucos se diferenciando da totalidade inconsciente e formando
conexões cada vez mais complexas.
O inconsciente por si só é neutro.
Seu dinamismo é provocado pela energia psíquica mobilizada ininterruptamente
pelo Espírito. Se a ele atribuirmos o caráter autônomo, como pensam alguns,
teremos três centros de domínio da personalidade: o ego (na consciência),
o inconsciente (se a ele atribuirmos autonomia) e o Espírito. Em verdade a
autonomia do inconsciente, tanto quanto do ego, é relativa. O domínio
real da personalidade pertence ao Espírito, mesmo nos estados em que não nos
parece existir controle algum.
A consciência se ilumina quando o ego é
tomado coercitivamente de assalto e assiste aos lampejos das inspirações
inconscientes. Consciência e Vida se confundem. Nesse sentido o conceito de
consciência se amplia, englobando a essência do ser que abrange desde a dimensão
inconsciente ao ego.
O uso de alucinógenos, ervas, chás, estupefacientes,
bem como certas medicações que atingem o Sistema Nervoso Central, reduzem o
bloqueio provocado pelo córtex encefálico, permitindo uma maior manifestação
das faixas psíquicas da mente que se encontram no perispírito. Esse procedimento
permite a ampliação do campo da consciência que avança pelo inconsciente. Tal
prática, se irresponsável gera conseqüências muitas vezes irreparáveis ao ego,
que se vê confuso entre as duas instâncias psíquicas simultaneamente.
A atenção ou focalização na consciência de determinado
aspecto da vida dependerá dos conteúdos presentes no inconsciente; isso ocorre
independente da consciência poder discriminar os fatores ou os motivos da seleção.
Essa focalização é um direcionamento da “energia” psíquica a um objeto
específico.
O corpo físico proporciona um limite relativo, entre
o inconsciente e o consciente, que impede a passagem de certos registros
emocionais de uma instância à outra. Ao mesmo tempo em que impede que alguns
registros carregados de afetos passem do inconsciente para a consciência,
permite que importantes aquisições lógicas e habilidades concretas retornem.
Mesmo quando desencarnamos, nem sempre temos acesso imediato àqueles registros.
Há limites além do corpo físico, perispirituais, portanto, que impedem a
lembrança imediata ou remota.
(Do
Livro: Psicologia do Espírito, Adenáuer Novaes)
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