Uma microscópica visão sobre o Espiritismo

A Doutrina Espírita não tem o caráter isolado de uma Religião, de uma Filosofia ou de uma Ciência, pois ela é, simultaneamente, essa tríade: Filosofia, Ciência e Religião. Se tirarmos um desses elementos da Doutrina dos Espíritos (como a chamava Léon Denis), já não há mais Espiritismo. E ela - é importante ressaltar - não é uma invenção do senhor Allan Kardec, pois tem a característica da impessoalidade. Ele foi o Codificador. Nas palavras dele:

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"Há entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos esta diferença capital; que estes são todos obra de homens, mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribuís, eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio.
Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz; nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade?
O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos." (Allan Kardec, O que é o Espiritismo)."
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Este blog visa contribuir com as reflexões sobre a Doutrina Espírita com textos meus e de autores que admiro. Não pretendo com isso exaltar minha personalidade, embora eu vá publicar aqui as datas de algumas palestras minhas (isto por conta de pedido de amigos), mas também de outros colaboradores do espiritismo e de eventos espíritas em Goiânia e fora daqui.
Aqueles que visitarem, sejam bem vindos!


"A maior caridade que podemos fazer pela doutrina espírita é sua divulgação." -Emmanuel-

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Consciência e inconsciente


Consciência é consciência do eu. Pode-se afirmar que não há propriamente uma consciência, mas sim um campo de acesso pelo eu. Esse campo varia para cada indivíduo de acordo com suas capacidades evolutivas. Por outro lado o inconsciente seria a parte do ser humano não acessível ao eu, portanto fora do campo da consciência. Em conseqüência consciente e inconsciente se referem a um único todo.
A consciência, como o inconsciente, é uma espécie de filtro de entrada e saída de registros informacionais e de sentimentos. Não são campos reais, mas virtuais, pois não se tratam de entes materiais e estáticos. Contêm registros que se perderão ao longo da evolução do Espírito.
Não se situam no Espírito, mas nas ‘camadas’ superficiais e profundas do perispírito e são acessáveis por mecanismos sutis desenvolvidos nas experiências de contato com a matéria.
O termo inconsciente é incompleto e indefinido, pois pretende conceituar algo negando outro. É como querer descrever uma cadeira dizendo que ela não é uma mesa. O inconsciente é, no entanto, a expressão usual para designar a codificação transitória das experiências que o ser espiritual, encarnado ou desencarnado, vive na sua relação com o mundo. Ela pertence ao domínio perispiritual que se estrutura em redes conectadas por “nós” emocionais.
O termo inconsciente é, de certa forma, inapropriado para designar seu conteúdo, visto que se trata de uma negação de algo (in = não), portanto não define a si mesmo. Os conteúdos não são de fato conscientes. Mas para quem? Não são conscientes para o ego, mas o são para o Espírito. O que é chamado de inconsciente é tudo que se constitui das experiências e de seus resíduos já vividos e disponíveis ao Espírito.
Sobre o inconsciente Jung escreveu: “Assim definido, o inconsciente descreve um estado de coisas extremamente fluido: tudo o que sei, mas que no momento não estou pensando; tudo aquilo de que antes eu tinha consciência, mas de que agora me esqueci; tudo o que é percebido pelos meus sentidos, mas que não foi notado pela minha mente consciente; tudo aquilo que, involuntariamente e sem prestar a atenção, sinto, penso, recordo, quero e faço; todas as coisas futuras que estão tomando forma em mim e que em algum momento chegarão à consciência: tudo isto é o conteúdo do inconsciente.” Jung dizia também que “a consciência não se cria a si mesma; emana de profundezas desconhecidas.”
O ego, usando o campo da consciência, acessa-a por comparação. Nesse momento ele se torna dual. O inconsciente é uno, constituindo-se num todo dinâmico. O ego apenas acessa sua superfície, onde se encontram os eventos mais recentes. O inconsciente é uma instância com raízes no perispírito. A lógica que vigora no inconsciente é não-linear e é estruturada diversamente daquela que pertence à consciência. O paradigma no inconsciente é emocional, enquanto que na consciência é cognitivo. Tudo que é consciente se torna inconsciente. É uma tendência inata (funcional) ao automatismo dos processos inconscientes. A repetição de experiências induz ao automatismo. A consciência, por sua vez, é produto da evolução do Espírito que, nos primórdios de sua caminhada evolutiva, é “inconsciente pleno”, isto é, uma estrutura que vai aos poucos se diferenciando da totalidade inconsciente e formando conexões cada vez mais complexas.
O inconsciente por si só é neutro. Seu dinamismo é provocado pela energia psíquica mobilizada ininterruptamente pelo Espírito. Se a ele atribuirmos o caráter autônomo, como pensam alguns, teremos três centros de domínio da personalidade: o ego (na consciência), o inconsciente (se a ele atribuirmos autonomia) e o Espírito. Em verdade a autonomia do inconsciente, tanto quanto do ego, é relativa. O domínio real da personalidade pertence ao Espírito, mesmo nos estados em que não nos parece existir controle algum.
A consciência se ilumina quando o ego é tomado coercitivamente de assalto e assiste aos lampejos das inspirações inconscientes. Consciência e Vida se confundem. Nesse sentido o conceito de consciência se amplia, englobando a essência do ser que abrange desde a dimensão inconsciente ao ego.
O uso de alucinógenos, ervas, chás, estupefacientes, bem como certas medicações que atingem o Sistema Nervoso Central, reduzem o bloqueio provocado pelo córtex encefálico, permitindo uma maior manifestação das faixas psíquicas da mente que se encontram no perispírito. Esse procedimento permite a ampliação do campo da consciência que avança pelo inconsciente. Tal prática, se irresponsável gera conseqüências muitas vezes irreparáveis ao ego, que se vê confuso entre as duas instâncias psíquicas simultaneamente.
A atenção ou focalização na consciência de determinado aspecto da vida dependerá dos conteúdos presentes no inconsciente; isso ocorre independente da consciência poder discriminar os fatores ou os motivos da seleção. Essa focalização é um direcionamento da “energia” psíquica a um objeto específico.
O corpo físico proporciona um limite relativo, entre o inconsciente e o consciente, que impede a passagem de certos registros emocionais de uma instância à outra. Ao mesmo tempo em que impede que alguns registros carregados de afetos passem do inconsciente para a consciência, permite que importantes aquisições lógicas e habilidades concretas retornem. Mesmo quando desencarnamos, nem sempre temos acesso imediato àqueles registros. Há limites além do corpo físico, perispirituais, portanto, que impedem a lembrança imediata ou remota.

(Do Livro: Psicologia do Espírito, Adenáuer Novaes)

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