Uma microscópica visão sobre o Espiritismo

A Doutrina Espírita não tem o caráter isolado de uma Religião, de uma Filosofia ou de uma Ciência, pois ela é, simultaneamente, essa tríade: Filosofia, Ciência e Religião. Se tirarmos um desses elementos da Doutrina dos Espíritos (como a chamava Léon Denis), já não há mais Espiritismo. E ela - é importante ressaltar - não é uma invenção do senhor Allan Kardec, pois tem a característica da impessoalidade. Ele foi o Codificador. Nas palavras dele:

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"Há entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos esta diferença capital; que estes são todos obra de homens, mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribuís, eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio.
Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz; nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade?
O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos." (Allan Kardec, O que é o Espiritismo)."
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Este blog visa contribuir com as reflexões sobre a Doutrina Espírita com textos meus e de autores que admiro. Não pretendo com isso exaltar minha personalidade, embora eu vá publicar aqui as datas de algumas palestras minhas (isto por conta de pedido de amigos), mas também de outros colaboradores do espiritismo e de eventos espíritas em Goiânia e fora daqui.
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"A maior caridade que podemos fazer pela doutrina espírita é sua divulgação." -Emmanuel-

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A VISÃO ESPÍRITA DA HOMOSSEXUALIDADE

QUAIS OS FATORES QUE LEVAM UMA PESSOA A SENTIR ATRAÇÃO POR OUTRA DO
MESMO SEXO? 
COMO LIDAR COM O HOMOSSEXUAL?

Dr. Roberto Lúcio Vieira de Souza
Associação Médico-Espírita do Brasil

Há muito tempo, a homossexualidade vem sendo um motivo de preocupação e questionamentos em todos os campos de estudo. Entretanto, encontramos muito pouca literatura realmente idônea acerca do tema, provavelmente em virtude da delicadeza do assunto.
Na lembrança de Emmanuel, na introdução do livro Vida e Sexo, reafirmamos que nossa Terra não possui elemento humano em condições de se dizer mestre no tema sexualidade, pois temos um “telhado de vidro” e o nosso posicionamento poderá ser hipócrita ao querermos julgar ou ensinar o que ainda não vivenciamos. Ao aceitarmos o desafio do tema, fazemos na condição de simples aprendizes, com a preocupação de que nossa pesquisa e nossas proposições sirvam como alavanca para outros profissionais da área de saúde e companheiros de ideal espírita, objetivando auxiliar verdadeiramente aqueles que passam pela provação do desvio sexual.
A homossexualidade é a condição do indivíduo na qual sua preferência sexual, tanto afetiva como genital, está direcionada para parceiros do mesmo sexo, sendo que essa preferência pode ser exclusiva ou predominantemente homossexual. Alguns estudiosos tentam diferenciar a homossexualidade do homossexualismo, entendendo a primeira como simples atração sexual e o segundo como a vivência desta, ou seja, uma seria a tendência e o outro, a prática.
A visão espírita
A questão 202 de O Livro dos Espíritos afirma: “Quando errante, o que prefere o espírito: encarnar no corpo de um homem ou de uma mulher? Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar”.
Essa colocação da codificação demonstra a existência da bissexualidade psicológica do espírito, o que não identifica uma concordância com a vivência bissexual do ser enquanto encarnado no campo da genitalidade. Posteriormente, essa postura doutrinária encontraria confirmação nos estudos da psicanálise.
Na Revista Espírita, Allan Kardec assim se expressa quanto às experiências sexuais do espírito em suas diversas encarnações: “É com o mesmo objetivo que os espíritos encarnam nos diferentes sexos. Aquele que foi homem poderá renascer mulher e aquele que foi mulher poderá renascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições e sofrer as provas. (...) Pode acontecer que o espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, fazendo com que, durante muito tempo, possa conservar no estado de espírito o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa”.
Por meio da mediunidade de Chico Xavier, André Luiz assim esclarece: “Na essência, o sexo é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser. É natural que o espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos nas linhas evolutivas da mulher e que o espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem”.
É essa condição de que o sexo seja mental, como bem esclarece a codificação e as obras secundárias, que pode explicar a questão da homossexualidade. Se o sexo não fosse mental, não haveria razão para a existência de tal condição, já que a morfologia do corpo não se superpõe aos poderes da mente, mas se sujeita às suas ordens. E essa estrutura psicológica na qual se erguem os destinos foi manipulada com os ingredientes do sexo através de milhares de reencarnações, conforme afirma Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier.
Dupla experiência
Na vida espiritual, cada espírito será definido em conformidade com as qualidades masculinas ou femininas que forem predominantes em seu campo mental. Segundo a visão da maioria dos estudiosos espíritas, o espírito precisa passar pelas experiências dos dois sexos, porque o campo do aprendizado de cada um é diferente. Assim, através de milênios e milênios, o espírito passa por uma imensa fieira de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade mais ou menos pronunciado em quase todas as criaturas. Desse modo, o homem e a mulher serão, respectivamente, acentuadamente masculino ou feminino, sem especificação psicológica absoluta, como nos explica Emmanuel.
Avaliando a situação, André Luiz assim se expressa: “Na crosta planetária, os temas sexuais são levados em conta na base dos sinais físicos que diferenciam o homem da mulher e vice-versa. No entanto, isso não define a realidade integral, porquanto, regendo esses marcos, permanece um espírito imortal, com idade às vezes multimilenária, encerrando consigo a soma de experiências complexas, o que obriga a própria ciência terrena a proclamar presentemente que masculinidade e feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana do ponto de vista psicológico. Homens e mulheres, em espírito, apresentam certa porcentagem mais ou menos elevada de características viris e femininas em cada indivíduo, o que não assegura possibilidade de comportamento íntimo normal para todos, segundo a conceituação de normalidade que a maioria dos homens estabelece para o meio social”.
Desse modo, Camilo, espírito orientador de J. Raul Teixeira, afirma que, “provenientes dos recônditos da alma, local em que se alocam reminiscências de desrespeito e de crimes hediondos cometidos contra as leis morais que são presentes nas consciências humanas ou, por outro lado, decorrentes de processos educacionais deletérios que se apoiaram em inclinações morais deficitárias e ainda não suficientemente amadurecidas para a verdadeira liberdade, os dramas homossexuais têm lugar na intimidade das criaturas largamente”. Motivados também por terríveis programas obsessivos que antigos inimigos desencarnados engendram por vingança ou decorrentes de perturbações psiquiátricas não devidamente diagnosticadas, inúmeros e variados quadros homossexuais explodem aqui e acolá.
Aproveitando essas últimas colocações, tentamos classificar, do ponto de vista doutrinário, as causas da homossexualidade em: morais, educacionais, obsessivas e psiquiátricas.
Causas morais

No campo das causas morais, encontramos aquelas criaturas que abusaram das faculdades genésicas tanto da posição masculina como da feminina, arruinando a vida de outros indivíduos, destruindo uniões e lares diversos. Elas são induzidas a procurarem uma nova posição ao reencarnarem, em corpos físicos opostos às suas estruturas psicológicas, a fim de que possam aprender, em regime de prisão, a reajustarem seus próprios sentimentos.
Encontramos também aqueles que persistem nessas práticas por uma busca hedonista, sem maior compromisso com a vida, que reencarnam assim na tentativa de retratarem suas posições em nova chance de resgate. São espíritos rebeldes, pertinazes em seus erros, que encontram na questão da inversão sexual uma oportunidade para o refazimento de suas vidas, na qual a lei divina lhes coloca diante de situações semelhantes ao passado de faltas, cobrando-lhes posturas mais éticas perante si e o outro.

Causas educacionais

As causas educacionais podem ser agrupadas em atávicas e atuais. A atávica é resultado de vivências repetitivas dos espíritos em culturas e comunidades onde a prática homossexual seria aceita e até estimulada, como na Grécia antiga e em certas tribos indígenas, ou nas sociedades culturais e religiosas que segregavam ou segregam seus membros, facilitando esse comportamento nas criaturas. Assim, ao reencarnarem em um local onde o homossexualismo não fosse mais aceito como prática livre, esbarrariam em sua condição viciosa.
Já dentro das atuais, temos aquelas causas advindas dos defeitos de educação nos lares, onde o comprometimento dos afetos já estaria presente anteriormente, em que as paixões deterioradas do passado tendem a levar pais e parentes ascendentes a estimularem posturas psicológicas e sexuais inversas ao seu estado físico em seus descendentes, sem que necessariamente ocorressem comportamentos ostensivamente incestuosos. Encontramos também os casos de pais contrariados em seus desejos quanto ao sexo do rebento, levando-o a uma condição inversa ao de seu sexo físico ou aqueles dos quais a entidade reencarnante, ao perceber esse desejo inconsciente dos pais, busca se adaptar patologicamente a essa situação durante o processo da gestação.
Outra causa está na presença de segmentos atuais da sociedade e da cultura estimulando esse tipo de conduta, quando uma linguagem mais política e sem qualquer comprometimento ético, através dos vários meios de comunicação de massa, estimula e condiciona as criaturas a acreditarem que essas vivências seriam uma postura natural, dependendo unicamente da escolha realizada pelo indivíduo. Esse posicionamento vai de encontro a uma visão social mais ampla, que continua atribuindo ao homossexualismo uma condição de marginalidade, mantendo um processo de segregação social e associando a ele outras posturas marginalizadas, como o abuso das drogas e a prostituição, agravando ainda mais a situação daqueles que optaram por esse caminho sexual.

Causas obsessivas

Entre esse tipo de causa, podemos citar os casos em que parceiros do passado delituoso, em processos homossexuais ou vivências heterossexuais pervertidas, reencontram-se em condição de ódio ou paixão doentia, estimulando uma postura homossexual no encarnado com o objetivo de atender o desencarnado em seus anseios viciosos ou de levar sua vítima para uma situação constrangedora e de intenso sofrimento.
Esses desencarnados poderiam estar em uma condição mental de homossexualidade ou não, induzindo o encarnado em um projeto de total desestruturação íntima e social.
O processo obsessivo não precisa necessariamente ter sua origem em uma encarnação anterior. Ocorre que, nos casos de uma obsessão atual, os parceiros da vivência patológica participam de opções de vida viciosas, onde geralmente o encarnado invigilante busca posições mentais sexualmente pervertidas ou locais nos quais esses comportamentos são socialmente aceitos, condicionando-se a essas práticas.
Uma outra situação possível, oriunda de um processo obsessivo, seria aquela na qual um espírito obsediando um encarnado em posição sexual inversa à sua, enfermado por uma interação intensa e duradoura, passa a sentir prazer sexual semelhante à sua vítima, pervertendo-se nesse campo e se condicionando a uma vivência homossexual em uma próxima encarnação.
Nesses casos, a situação obsessiva teria existido em uma encarnação anterior e a homossexualidade seria a desdita daquele que teria sido o algoz naquela vivência. Seria o famoso caso em que “o tiro saiu pela culatra”.

Causas psiquiátricas

São causas que reúnem casos nos quais a criatura, presa a um processo de deficiência mental ou de desestruturação psicótica, vê-se com a crítica comprometida, permitindo-se condutas sexuais das mais diversas, sem necessariamente existir uma escolha do objeto de desejo ou compreensão da condição moral.
São relações homossexuais sem necessariamente representarem opções de homossexualidade. Resultam de um passado delituoso em outras áreas que influenciam a criatura nos vários setores de sua vida.
No campo da psicopatologia, encontramos ainda os transtornos psicopáticos, nos quais as criaturas se posicionam em uma condição de amoralidade e imoralidade, optando por uma vida de prazeres sem limites, não se constrangendo na busca do hedonismo por nenhum motivo, estimulando a homossexualidade em si e nas criaturas psiquicamente influenciáveis.
De maneira especial, temos os processos gerados por vivências traumáticas na infância, quando a criança seduzida sexualmente por um de seus ascendentes familiares viu-se condicionada por ele a adotar um comportamento sexual invertido (como, por exemplo, um pai que utiliza sexualmente um filho) ou, então, quando o jogo de sedução e perversão realizado por parentes de sexos opostos provoca uma situação de ódio intenso, levando a criança ou o jovem a fazer uma opção pela homossexualidade como forma de rejeitar aquela vivência.

A terapêutica espírita

A doutrina dos espíritos nos oferece recursos em diversas áreas de atuação, capazes de facilitar não só a compreensão das pessoas ligadas direta ou indiretamente nos casos de homossexualismo, mas também proporcionando condições de mudança para os que buscam se renovar.
Do ponto de vista do conhecimento doutrinário, ou seja, do contato do indivíduo com as verdades espíritas, estas lhe facilitam a compreensão daquilo que a criatura está passando, despertam as idéias no campo da reencarnação, da lei de causa e efeito, da busca da realidade maior acerca do caminho mais adequado para sua melhoria e das técnicas espíritas para o tratamento. Elas abrirão espaço para que a criatura pense por um outro ângulo, conscientizando-se da necessidade de renovação.
Os aspectos filosóficos ampliam o campo de abordagem, fazem com que a pessoa pense nas possíveis causas que a levaram à situação da homossexualidade, à real gravidade de seu comportamento e das prováveis conseqüências de seus atos. O ângulo religioso oferece ao indivíduo a oportunidade de conhecer um caminho orientado pela verdadeira ética, o consolo ao aceitar o chamado de renovação e a certeza do amor divino através dos mensageiros do alto, que o velam e amparam, sustentando-o quando assume propósitos superiores.
A terapêutica espírita nos proporciona recursos energéticos através do passe, da água fluidificada e da sintonia pela prece. Estes são capazes de serenar o ser em sua constante busca de paz e alegria. Os conhecimentos da ciência espírita demonstram a realidade do processo em si próprio, as conseqüências energéticas do corpo físico e dos demais corpos da individualidade espiritual e de como seus instrumentos terapêuticos podem ser eficazes. Oferecem também, através do esclarecimento e auxílio mediúnico, a assistência aos desencarnados vinculados ao processo, aliviando os irmãos que se alimentam dessas energias psíquicas viciosas.

Desafios na psicoterapia

A dinâmica do trabalho psicoterapêutico nos exige recursos para auxiliarmos a quem nos procura, sem, no entanto, exigirmos do indivíduo aquilo que ele ainda é incapaz de dar, não significando essa atitude uma conivência com o erro.
A postura do terapeuta espírita não pode repetir a posição de preconceitos e exigências moralistas ou de permissividade presentes na maioria das criaturas.
O paciente espera uma compreensão de sua dor, de atitudes e auxílio que permitam a ele encontrar o caminho de mudança, sem o constrangimento de nossa intransigência que, na maior parte das vezes, afasta a criatura do tratamento, fazendo-a persistir no sofrimento, sem uma chance concreta de encontrar a saída tão esperada.
É papel fundamental do terapeuta entender o homossexual como um ser fragilizado, complicado por seu passado e pela ilusão na crença do prazer a qualquer custo, não como uma criatura má, sem escrúpulos, que contamina a sociedade como epidemia grave e fatal. Relembrar que, no campo da sexualidade, a imensa maioria da humanidade se encontra no mesmo lodaçal, precisando rever conceitos e atitudes, pois a realidade é que o sexo precisa ser dignificado e divinizado onde quer que se manifeste. Compreender que, primeiramente, a questão dos desvarios da sexualidade não parte somente da escolha do parceiro sexual, mas da postura íntima da criatura, que vê no sexo um simples mecanismo de prazer e, no outro, o instrumento para alcançar esse fim.
Sabemos, como o apóstolo Paulo nos lembra em sua epístola aos romanos, que existe um uso dito natural para o sexo. Isso não compreende apenas a questão da escolha do parceiro, mas também uma postura mais radical em relação aos moldes vividos pela nossa sociedade, na qual os parceiros sexuais deveriam se entregar ao relacionamento apenas para a procriação e com mútuo consentimento, como opção diante das dificuldades de se manterem castos e sempre voltados aos aspectos espirituais.
O sexo deve ser uma fonte de bênçãos renovadoras do corpo e da alma, como diz André Luiz em Conduta Espírita. Assim, toda postura de orientação deve ter como objetivo as condições que possibilitem à criatura alcançar esse estado abençoado.

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