Uma microscópica visão sobre o Espiritismo

A Doutrina Espírita não tem o caráter isolado de uma Religião, de uma Filosofia ou de uma Ciência, pois ela é, simultaneamente, essa tríade: Filosofia, Ciência e Religião. Se tirarmos um desses elementos da Doutrina dos Espíritos (como a chamava Léon Denis), já não há mais Espiritismo. E ela - é importante ressaltar - não é uma invenção do senhor Allan Kardec, pois tem a característica da impessoalidade. Ele foi o Codificador. Nas palavras dele:

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"Há entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos esta diferença capital; que estes são todos obra de homens, mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribuís, eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio.
Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz; nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade?
O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos." (Allan Kardec, O que é o Espiritismo)."
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Este blog visa contribuir com as reflexões sobre a Doutrina Espírita com textos meus e de autores que admiro. Não pretendo com isso exaltar minha personalidade, embora eu vá publicar aqui as datas de algumas palestras minhas (isto por conta de pedido de amigos), mas também de outros colaboradores do espiritismo e de eventos espíritas em Goiânia e fora daqui.
Aqueles que visitarem, sejam bem vindos!


"A maior caridade que podemos fazer pela doutrina espírita é sua divulgação." -Emmanuel-

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Respostas dos Espíritos a algumas perguntas sobre as manifestações

P. Como os Espíritos podem agir sobre a matéria? Isso parece contrário a todas as idéias, que fazemos, da natureza dos Espíritos.
R. "Segundo vós, o Espírito não é nada, é um erro; já o dissemos, o Espírito é alguma coisa, e é por isso que ele pode agir por si mesmo; mas vosso mundo é muito grosseiro para que possa fazê-lo sem intermediário, quer dizer, sem o laço que une o Espírito à matéria."

Observações. O laço que une o Espírito à matéria, não sendo, ele mesmo, senão imaterial, pelo menos impalpável, essa resposta não resolveria a questão, se não tivéssemos exemplo de forças igualmente inapreciáveis agindo sobre a matéria: é assim que o pensamento é a causa primeira de todos os nossos movimentos voluntários; que a eletricidade tomba, eleva e transporta massas inertes. Do fato de que se conheça o motor, seria ilógico concluir que ele não existe. O Espírito pode, pois, ter alavancas que nos são desconhecidas; a Natureza nos prova, todos os dias, que sua força não se detém no testemunho dos sentidos. Nos fenômenos espíritas, a causa imediata é, sem contradição, um agente físico; mas, a causa primeira é uma inteligência que age sobre esse agente, como nosso pensamento age sobre os nossos membros. Quando queremos bater, é nosso braço que age, não é o pensamento que bate: ele dirige o braço.
 
P. Entre os Espíritos que produzem efeitos materiais, os que se chamam de batedores formam uma categoria especial, ou são os mesmos que produzem os movimentos e os ruídos?
R. "O mesmo Espírito pode, certamente, produzir efeitos muito diferentes, mas há os que se ocupam, mais particularmente, de certas coisas, como, entre vós, tendes os ferreiros e os que fazem trabalhos pesados."

P. O Espírito que age sobre os corpos sólidos, seja para movê-los, seja para bater, está na própria substância do corpo, ou fora dessa substância?
R. "Um e outro; dissemos que a matéria não é um obstáculo para os Espíritos; eles penetram tudo."
P. As manifestações materiais, tais como os ruídos, o movimento dos objetos e todos esses fenômenos que, freqüentemente, se compraz provocar, são produzidos, indistintamente, por Espíritos superiores e por Espíritos inferiores?
R. "Não são senão Espíritos inferiores que se ocupam dessas coisas. Os Espíritos superiores, algumas vezes, deles se servem como tu farias com um carregador, a fim de levar a escutá-los. Podes crer que os Espíritos, de uma ordem superior, estejam às vossas ordens para vos divertir com pasquinagens? É como se perguntásseis se, em todo mundo, os homens sábios e sérios são os malabaristas e os bufões."

Nota. Os Espíritos que se revelam por efeitos materiais são, em geral, de ordem inferior. Eles divertem ou assustam aqueles para quem o espetáculo dos olhos tem mais atrativos do que o exercício da inteligência; são, de alguma sorte, os saltimbancos do mundo espírita. Agem, algumas vezes, espontaneamente; outras vezes, por ordem de Espíritos superiores. Se as comunicações dos Espíritos superiores oferecem um interesse mais sério, as manifestações físicas têm, igualmente, sua utilidade para o observador; elas nos revelam forças desconhecidas na Natureza, e nos dão o meio de estudar o caráter, e, se podemos assim nos exprimir, os costumes de todas as classes da população espírita.

P. Como provar que a força oculta, que age nas manifestações espíritas, está fora do homem? Não se poderia pensar que ela reside nele mesmo, quer dizer, que age sob o impulso do seu próprio Espírito?
R. ."Quando uma coisa ocorre contra a tua vontade e teu desejo, é certo que não fostes tu quem a produziu; mas, freqüentemente, és a alavanca da qual o Espírito se serve para agir, e tua vontade lhe vem em ajuda: podes ser um instrumento mais ou menos cômodo para ele."
Nota. É, sobretudo, nas comunicações inteligentes que a intervenção de uma força estranha se torna patente. Quando essas comunicações são espontâneas e fora do nosso pensamento e do nosso controle, quando respondem a perguntas cuja solução é desconhecida dos assistentes, é preciso procurar-lhe a causa fora de nós. Isso se torna evidente para quem observe os fatos com atenção e perseverança; as nuanças de detalhes escapam ao observador superficial.

P. Todos os Espíritos estão aptos para dar manifestações inteligentes?
R. "Sim, uma vez que todos os Espíritos são inteligências; mas, como os há de todas as categorias, tal como entre vós, uns dizem coisas insignificantes ou estúpidas, os outros coisas sensatas."

P. Todos os Espíritos estão aptos a compreender as questões que se lhes coloquem?
R. "Não; os Espíritos inferiores são incapazes de compreender certas questões, o que não lhes impede de responderem bem ou mal; é ainda como entre vós."

Nota. Vê-se, por aí, o quanto é essencial colocar-se em guarda contra a crença no saber indefinido dos Espíritos. Ocorre, com eles, como com os homens; não basta interrogar ao primeiro que se encontra para ter uma resposta sensata, é preciso saber a quem se dirige. Quem quer conhecer os costumes de um povo, deve estudá-lo desde o baixo até o ápice da escala; não ver senão uma classe, é fazer dele uma idéia falsa, se se julga o todo pela parte. O povo dos Espíritos é como os nossos, há de tudo, do bom, do mau, do sublime, do trivial, do saber e da ignorância. Quem não o observou, como filósofo, em todos os graus não pode se gabar de conhecê-lo. As manifestações físicas nos fazem conhecer os Espíritos de baixo estágio; é a rua e a cabana. As comunicações instrutivas e sábias nos colocam em relação com os Espíritos elevados; é a elite da sociedade: o castelo, o instituto.

(Allan Kardec, Revista Espírita. Janeiro 1858)

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