Uma microscópica visão sobre o Espiritismo

A Doutrina Espírita não tem o caráter isolado de uma Religião, de uma Filosofia ou de uma Ciência, pois ela é, simultaneamente, essa tríade: Filosofia, Ciência e Religião. Se tirarmos um desses elementos da Doutrina dos Espíritos (como a chamava Léon Denis), já não há mais Espiritismo. E ela - é importante ressaltar - não é uma invenção do senhor Allan Kardec, pois tem a característica da impessoalidade. Ele foi o Codificador. Nas palavras dele:

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"Há entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos esta diferença capital; que estes são todos obra de homens, mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribuís, eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio.
Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz; nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade?
O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos." (Allan Kardec, O que é o Espiritismo)."
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Este blog visa contribuir com as reflexões sobre a Doutrina Espírita com textos meus e de autores que admiro. Não pretendo com isso exaltar minha personalidade, embora eu vá publicar aqui as datas de algumas palestras minhas (isto por conta de pedido de amigos), mas também de outros colaboradores do espiritismo e de eventos espíritas em Goiânia e fora daqui.
Aqueles que visitarem, sejam bem vindos!


"A maior caridade que podemos fazer pela doutrina espírita é sua divulgação." -Emmanuel-

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Discursos pronunciados nas reuniões gerais dos espíritas de Lyon e Bordeaux


[Aqui pegamos somente um fragmento deste discurso que não altera o sentido geral das palavras do codificador. O nosso objetivo é ressaltar o Homem de Bem e os Verdadeiros Espíritas como Kardec mostra em sua fala.]


Discurso I

O homem que pratica o bem – isto dito em tese geral – deve, pois, preparar-se para se ferir na ingratidão, para ter contra ele aqueles que, não o praticando, são ciumentos da estima concedida aos que o praticam. Os primeiros, não se sentindo dotados de força para se elevarem, procuram rebaixar os outros ao seu nível, obstinam-se em anular, pela maledicência ou a calúnia, aqueles que os ofuscam. Ouve-se constantemente dizer que a ingratidão com que somos pagos endurece o nosso coração e nos torna egoístas. Falar assim é provar que se tem o coração fácil de ser endurecido, uma vez que esse temor não poderia deter o homem verdadeiramente bom. O reconhecimento é já uma remuneração pelo bem que se faz; praticá-lo tendo em vista essa remuneração é fazê-lo por interesse. Por outro lado, quem sabe se aquele que beneficiamos, e do qual nada esperamos, não será estimulado a mais elevados sentimentos por um reto proceder? Esse pode ser, talvez, um meio de levá-lo a refletir, de suavizar sua alma, de salvá-lo! Essa esperança constitui uma nobre ambição. Se nos inferiorizarmos não realizaremos o que nos compete realizar.

[...]

Pondo de lado qualquer questão pessoal, tenho adversários naturais nos inimigos do Espiritismo. Não cogiteis que melamente! Longe disso! Quanto maior é a animosidade deles, melhor se comprova a importância que a Doutrina Espírita assume aos seus olhos. Se se tratasse de algo sem conseqüências, uma dessas utopias que já nascem inviáveis, não lhe prestariam atenção. Não tendes visto escritos vazados em um tom de hostilidade que não se encontra nos meus – quanto à ideologia –, e nos quais as expressões não são mais parcimoniosas do que o atrevimento dos pensamentos? Contra eles, todavia, não enunciam uma única palavra! O mesmo se daria se as doutrinas que luto por difundir permanecessem circunscritas às páginas de um livro. Entretanto – o que pode parecer mais espantoso –, o fato é que tenho adversários mesmo entre os adeptos do Espiritismo. Ora, nesta área é que uma explicação se torna necessária. Entre os que adotam as idéias espíritas há, como bem sabeis, três categorias bem distintas:

   1)      os que crêem pura e simplesmente nos fenômenos das manifestações, mas que deles não deduzem qualquer conseqüência moral;

    2)      os que percebem o alcance moral, mas o aplicam aos outros e não a si mesmos;

    3)      os que aceitam pessoalmente todas as conseqüências da doutrina e que praticam ou se esforçam por praticar sua moral.

Estes últimos, vós bem o sabeis, são os espíritas praticantes, os verdadeiros espíritas. Essa distinção é importante, pois que bem explica as anomalias aparentes. Sem isso seria difícil compreendermos as atitudes de determinadas pessoas. Ora, o que preceitua essa moral? Amai-vos uns aos outros; perdoai os vossos inimigos; retribuí o bem ao mal; não tenhais ira, nem rancor, nem animosidade, nem inveja, nem ciúme; sede severos para convosco mesmos e indulgentes para com os outros. Tais devem ser os sentimentos do verdadeiro espírita, aquele que se atém ao fundo e não à forma, que coloca o espírito acima da matéria. Ele pode ter inimigos, mas não é inimigo de ninguém, pois que não deseja o mal a quem quer que seja e, com maiores razões, não procura fazer o mal a ninguém. Esse, como vede, senhores, é um princípio geral, do qual toda a gente pode beneficiar-se. Se, pois, tenho inimigos, eles não podem ser contados entre os espíritas dessa categoria, pois que, admitindo que tivessem motivos legítimos de queixa contra mim, o que me esforço por evitar, esse não seria um motivo para me odiarem e, com melhores razões se nunca lhes fiz qualquer mal. O Espiritismo tem por divisa: Fora da caridade não há salvação, o que equivale dizer: Fora da caridade não pode existir verdadeiros espíritas. Solicito-vos inscrever, daqui para a frente, essa divisa em vossas bandeiras, pois que ela resume ao mesmo tempo a finalidade do Espiritismo e o dever que ele impõe. Estando, pois, admitido que não se pode ser um bom espírita com sentimentos de rancor no coração, eu me orgulho de contar apenas com amigos entre estes últimos, pois que, se eu tiver defeitos, eles saberão desculpá-los. Veremos, em seguida, a que imensas e férteis conseqüências conduz esse princípio.


(Allan Kardec, Viagem Espírita em 1862)

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