QUAIS OS FATORES QUE LEVAM UMA PESSOA A SENTIR ATRAÇÃO
POR OUTRA DO
MESMO SEXO?
COMO LIDAR COM O HOMOSSEXUAL?
Dr.
Roberto Lúcio Vieira de Souza
Associação
Médico-Espírita do Brasil
Há muito tempo, a homossexualidade vem sendo um motivo de preocupação e questionamentos em todos os campos de estudo. Entretanto, encontramos
muito pouca literatura realmente idônea acerca do tema, provavelmente em virtude da delicadeza
do assunto.
Na lembrança de Emmanuel, na introdução do livro
Vida e Sexo, reafirmamos que nossa Terra não possui elemento humano em condições de se dizer mestre no tema sexualidade, pois temos um “telhado de vidro” e o nosso posicionamento poderá ser hipócrita ao querermos julgar ou ensinar o que ainda
não vivenciamos. Ao aceitarmos o desafio do tema,
fazemos na condição de simples aprendizes, com a
preocupação de que nossa pesquisa e nossas
proposições sirvam como alavanca para outros
profissionais da área de saúde e companheiros
de ideal espírita, objetivando auxiliar
verdadeiramente aqueles que passam pela
provação do desvio sexual.
A homossexualidade é a condição do indivíduo na
qual sua preferência sexual, tanto afetiva como
genital, está direcionada para parceiros do
mesmo sexo, sendo que essa preferência pode
ser exclusiva ou predominantemente homossexual.
Alguns estudiosos tentam diferenciar a
homossexualidade do homossexualismo, entendendo
a primeira como simples atração sexual e o
segundo como a vivência desta, ou seja, uma
seria a tendência e o outro, a prática.
A
visão espírita
A questão 202 de O Livro dos Espíritos afirma: “Quando
errante, o que prefere o espírito: encarnar
no corpo de um homem ou de uma mulher? Isso pouco
lhe importa. O que o guia na escolha são as
provas por que haja de passar”.
Essa colocação da codificação demonstra a existência da
bissexualidade psicológica do espírito, o que
não identifica uma concordância com a vivência bissexual do
ser enquanto encarnado no campo da genitalidade. Posteriormente, essa postura doutrinária encontraria
confirmação nos estudos da psicanálise.
Na Revista Espírita, Allan Kardec assim se expressa quanto
às experiências sexuais do espírito em suas
diversas encarnações: “É com o mesmo objetivo que os
espíritos encarnam nos diferentes sexos. Aquele
que foi homem poderá renascer mulher e aquele que foi
mulher poderá renascer homem, a fim de realizar
os deveres de cada uma dessas posições e sofrer as
provas. (...) Pode acontecer que o espírito percorra
uma série de existências no mesmo sexo, fazendo com
que, durante muito tempo, possa conservar no
estado de espírito o caráter de homem ou de mulher, cuja
marca nele ficou impressa”.
Por meio da mediunidade de Chico Xavier, André Luiz
assim esclarece: “Na essência, o sexo é a soma
das qualidades passivas ou positivas do campo mental do
ser. É natural que o espírito acentuadamente
feminino se demore séculos e séculos nas linhas evolutivas
da mulher e que o espírito marcadamente
masculino se detenha por longo tempo nas experiências do
homem”.
É essa condição de que o sexo seja mental, como bem
esclarece a codificação e as obras secundárias,
que pode explicar a questão da homossexualidade. Se o
sexo não fosse mental, não haveria razão para a
existência de tal condição, já que a morfologia do corpo
não se superpõe aos poderes da mente, mas se
sujeita às suas ordens. E essa estrutura psicológica na qual
se erguem os destinos foi manipulada com os ingredientes do
sexo através de milhares de reencarnações,
conforme afirma Emmanuel pela psicografia de
Chico Xavier.
Dupla
experiência
Na vida espiritual, cada espírito será definido em conformidade
com as qualidades masculinas ou femininas
que forem predominantes em seu campo mental. Segundo
a visão da maioria dos estudiosos espíritas, o espírito
precisa passar pelas experiências dos dois
sexos, porque o campo do aprendizado de cada um é diferente. Assim, através de milênios e milênios, o espírito passa por uma imensa fieira
de reencarnações, ora em posição de
feminilidade, ora em condições de masculinidade,
o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade mais ou menos pronunciado em quase todas as criaturas. Desse modo,
o homem e a mulher serão,
respectivamente, acentuadamente masculino
ou feminino, sem especificação psicológica
absoluta, como nos explica Emmanuel.
Avaliando
a situação, André Luiz assim se expressa: “Na crosta planetária, os temas
sexuais são levados em conta na base
dos sinais físicos que diferenciam o
homem da mulher e vice-versa. No entanto,
isso não define a realidade integral, porquanto, regendo esses marcos, permanece um espírito
imortal, com idade às vezes
multimilenária, encerrando consigo a
soma de experiências complexas, o que obriga a própria ciência terrena a proclamar presentemente que masculinidade e feminilidade totais
são inexistentes na personalidade
humana do ponto de vista psicológico.
Homens e mulheres, em espírito, apresentam
certa porcentagem mais ou menos elevada de características viris e femininas em cada indivíduo, o que não assegura possibilidade de
comportamento íntimo normal para
todos, segundo a conceituação de normalidade
que a maioria dos homens estabelece para
o meio social”.
Desse
modo, Camilo, espírito orientador de J. Raul Teixeira, afirma que, “provenientes dos recônditos da alma, local em que se alocam
reminiscências de desrespeito e de
crimes hediondos cometidos contra as leis
morais que são presentes nas consciências humanas ou, por outro lado, decorrentes de processos educacionais deletérios que se apoiaram em
inclinações morais deficitárias e ainda
não suficientemente amadurecidas para
a verdadeira liberdade, os dramas homossexuais têm lugar na intimidade das criaturas largamente”. Motivados também por terríveis
programas obsessivos que antigos
inimigos desencarnados engendram por
vingança ou decorrentes de perturbações psiquiátricas
não devidamente diagnosticadas, inúmeros
e variados quadros homossexuais explodem
aqui e acolá.
Aproveitando
essas últimas colocações, tentamos classificar,
do ponto de vista doutrinário, as causas da homossexualidade em: morais,
educacionais, obsessivas e
psiquiátricas.
Causas morais
No campo das causas morais, encontramos aquelas criaturas que abusaram das faculdades genésicas tanto da posição masculina como da feminina, arruinando
a vida de outros indivíduos, destruindo uniões
e lares diversos. Elas são induzidas a procurarem uma
nova posição ao reencarnarem, em corpos físicos
opostos às suas estruturas psicológicas, a fim de que
possam aprender, em regime de prisão, a reajustarem
seus próprios sentimentos.
Encontramos também aqueles que persistem nessas práticas por uma busca hedonista, sem maior compromisso
com a vida, que reencarnam assim na tentativa de retratarem suas posições em nova chance de resgate. São
espíritos rebeldes, pertinazes em seus erros,
que encontram na questão da inversão sexual uma
oportunidade para o refazimento de suas vidas, na
qual a lei divina lhes coloca diante de situações semelhantes ao passado de faltas, cobrando-lhes posturas
mais éticas perante si e o outro.
Causas educacionais
As causas educacionais podem ser agrupadas em atávicas e atuais. A atávica é resultado de vivências
repetitivas dos espíritos em culturas e comunidades
onde a prática homossexual seria aceita e até
estimulada, como na Grécia antiga e em certas
tribos indígenas, ou nas sociedades culturais
e religiosas que segregavam ou segregam seus
membros, facilitando esse comportamento nas
criaturas. Assim, ao reencarnarem em um local onde o homossexualismo não
fosse mais aceito como prática livre, esbarrariam em sua condição viciosa.
Já
dentro das atuais, temos aquelas causas advindas dos defeitos de educação nos
lares, onde o comprometimento dos afetos já estaria presente anteriormente, em
que as paixões deterioradas do passado tendem a levar pais e parentes ascendentes
a estimularem posturas psicológicas e sexuais inversas ao seu estado físico em
seus descendentes, sem que necessariamente ocorressem comportamentos
ostensivamente incestuosos. Encontramos também os casos de pais contrariados em
seus desejos quanto ao sexo do rebento, levando-o a uma condição inversa ao de seu
sexo físico ou aqueles dos quais a entidade reencarnante, ao perceber esse
desejo inconsciente dos pais, busca se adaptar patologicamente a essa situação durante
o processo da gestação.
Outra
causa está na presença de segmentos atuais da sociedade e da cultura
estimulando esse tipo de conduta, quando uma linguagem mais política e sem
qualquer comprometimento ético, através dos vários meios de comunicação de
massa, estimula e condiciona as criaturas a acreditarem que essas vivências seriam
uma postura natural, dependendo unicamente da escolha realizada pelo indivíduo.
Esse posicionamento vai de encontro a uma visão social mais ampla, que continua
atribuindo ao homossexualismo uma condição de
marginalidade, mantendo um processo de
segregação social e associando a ele outras posturas
marginalizadas, como o abuso das drogas e a
prostituição, agravando ainda mais a situação daqueles que optaram por esse caminho sexual.
Causas obsessivas
Entre esse tipo de causa, podemos citar os casos em que parceiros
do passado delituoso, em processos homossexuais ou vivências heterossexuais
pervertidas, reencontram-se em condição de ódio ou paixão doentia, estimulando
uma postura homossexual no encarnado com o objetivo de atender o desencarnado em
seus anseios viciosos ou de levar sua vítima para uma situação constrangedora e
de intenso sofrimento.
Esses desencarnados poderiam estar em uma condição mental de
homossexualidade ou não, induzindo o encarnado em um projeto de total
desestruturação íntima e social.
O processo obsessivo não precisa necessariamente ter sua origem em
uma encarnação anterior. Ocorre que, nos casos de uma obsessão atual, os
parceiros da vivência patológica participam de opções de vida viciosas, onde
geralmente o encarnado invigilante busca posições mentais sexualmente
pervertidas ou locais nos quais esses comportamentos são socialmente aceitos,
condicionando-se a essas práticas.
Uma outra situação possível, oriunda de um processo obsessivo,
seria aquela na qual um espírito obsediando um encarnado em posição sexual
inversa à sua, enfermado por uma interação intensa e duradoura, passa a sentir
prazer sexual semelhante à sua vítima, pervertendo-se nesse campo e se
condicionando a uma vivência homossexual em uma próxima encarnação.
Nesses casos, a situação obsessiva teria existido em uma
encarnação anterior e a homossexualidade seria a desdita daquele que teria sido
o algoz naquela vivência. Seria o famoso caso em que “o tiro saiu pela
culatra”.
Causas psiquiátricas
São causas que reúnem casos nos quais a criatura, presa a um processo de deficiência mental ou de desestruturação psicótica, vê-se com a crítica
comprometida, permitindo-se condutas sexuais
das mais diversas, sem necessariamente existir
uma escolha do objeto de desejo ou compreensão
da condição moral.
São relações homossexuais sem necessariamente representarem opções de homossexualidade. Resultam de um passado delituoso em outras áreas que influenciam a criatura nos vários setores de sua vida.
No campo da psicopatologia, encontramos ainda os transtornos psicopáticos, nos quais as criaturas se
posicionam em uma condição de amoralidade e
imoralidade, optando por uma vida de prazeres
sem limites, não se constrangendo na busca do
hedonismo por nenhum motivo, estimulando a
homossexualidade em si e nas criaturas
psiquicamente influenciáveis.
De maneira especial, temos os processos gerados por vivências traumáticas na infância, quando a criança
seduzida sexualmente por um de seus ascendentes
familiares viu-se condicionada por ele a adotar um
comportamento sexual invertido (como, por exemplo, um
pai que utiliza sexualmente um filho) ou, então, quando o jogo de sedução e perversão realizado por parentes de sexos opostos provoca uma situação de ódio intenso, levando a criança ou o jovem a fazer uma opção pela homossexualidade como forma de rejeitar
aquela vivência.
A terapêutica espírita
A doutrina dos espíritos nos oferece recursos em diversas áreas de atuação,
capazes de facilitar não só a
compreensão das pessoas ligadas direta ou indiretamente nos casos de
homossexualismo, mas também proporcionando
condições de mudança para os que
buscam se renovar.
Do ponto de vista do conhecimento doutrinário, ou seja, do contato do
indivíduo com as verdades espíritas, estas
lhe facilitam a compreensão daquilo que a
criatura está passando, despertam as idéias no campo da
reencarnação, da lei de causa e efeito, da busca da
realidade maior acerca do caminho mais adequado para
sua melhoria e das técnicas espíritas para o tratamento.
Elas abrirão espaço para que a criatura pense
por um outro ângulo, conscientizando-se da necessidade de renovação.
Os aspectos filosóficos ampliam o campo de abordagem, fazem com que a pessoa pense
nas possíveis causas
que a levaram à situação da homossexualidade, à
real gravidade de seu comportamento e das prováveis conseqüências
de seus atos. O ângulo religioso oferece
ao indivíduo a oportunidade de conhecer um
caminho orientado pela verdadeira ética, o consolo ao
aceitar o chamado de renovação e a certeza do
amor divino através dos mensageiros do alto, que o
velam e amparam, sustentando-o quando assume propósitos
superiores.
A terapêutica espírita nos proporciona recursos energéticos
através do passe, da água fluidificada e da sintonia
pela prece. Estes são capazes de serenar o
ser em sua constante busca de paz e alegria. Os conhecimentos da ciência espírita
demonstram a realidade do
processo em si próprio, as conseqüências energéticas
do corpo físico e dos demais corpos da individualidade espiritual e de como seus
instrumentos terapêuticos
podem ser eficazes. Oferecem também, através
do esclarecimento e auxílio mediúnico, a assistência aos
desencarnados vinculados ao processo, aliviando
os irmãos que se alimentam dessas energias psíquicas
viciosas.
Desafios na psicoterapia
A dinâmica do trabalho psicoterapêutico nos exige recursos para auxiliarmos a
quem nos procura, sem,
no entanto, exigirmos do indivíduo aquilo que ele
ainda é incapaz de dar, não significando essa atitude uma conivência com o erro.
A postura do terapeuta espírita não pode repetir a posição de preconceitos e
exigências moralistas ou de
permissividade presentes na maioria das criaturas.
O paciente espera uma compreensão de sua dor, de atitudes e auxílio que permitam
a ele encontrar o caminho de
mudança, sem o constrangimento de nossa intransigência
que, na maior parte das vezes, afasta a
criatura do tratamento, fazendo-a persistir no sofrimento, sem uma chance concreta de
encontrar a saída
tão esperada.
É
papel fundamental do terapeuta entender o homossexual como um ser fragilizado, complicado por seu passado e pela ilusão na crença do prazer a qualquer custo, não como uma criatura má, sem
escrúpulos, que contamina a sociedade como epidemia grave e fatal. Relembrar
que, no campo da sexualidade, a
imensa maioria da humanidade se encontra no mesmo lodaçal, precisando rever conceitos e atitudes, pois a realidade é que o sexo precisa
ser dignificado e divinizado onde
quer que se manifeste. Compreender que,
primeiramente, a questão dos desvarios da
sexualidade não parte somente da escolha do parceiro sexual, mas da postura íntima da criatura, que vê no sexo um simples mecanismo de prazer
e, no outro, o instrumento para
alcançar esse fim.
Sabemos,
como o apóstolo Paulo nos lembra em sua epístola aos romanos, que existe um uso
dito natural para o sexo. Isso não
compreende apenas a questão da
escolha do parceiro, mas também uma postura
mais radical em relação aos moldes vividos pela nossa sociedade, na qual os parceiros sexuais deveriam se entregar ao relacionamento apenas
para a procriação e com mútuo
consentimento, como opção diante das
dificuldades de se manterem castos e sempre
voltados aos aspectos espirituais.
O
sexo deve ser uma fonte de bênçãos renovadoras do corpo e da alma, como diz André Luiz em Conduta Espírita. Assim, toda postura de
orientação deve ter como objetivo as
condições que possibilitem à criatura
alcançar esse estado abençoado.