Uma microscópica visão sobre o Espiritismo

A Doutrina Espírita não tem o caráter isolado de uma Religião, de uma Filosofia ou de uma Ciência, pois ela é, simultaneamente, essa tríade: Filosofia, Ciência e Religião. Se tirarmos um desses elementos da Doutrina dos Espíritos (como a chamava Léon Denis), já não há mais Espiritismo. E ela - é importante ressaltar - não é uma invenção do senhor Allan Kardec, pois tem a característica da impessoalidade. Ele foi o Codificador. Nas palavras dele:

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"Há entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos esta diferença capital; que estes são todos obra de homens, mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribuís, eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio.
Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz; nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade?
O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos." (Allan Kardec, O que é o Espiritismo)."
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Este blog visa contribuir com as reflexões sobre a Doutrina Espírita com textos meus e de autores que admiro. Não pretendo com isso exaltar minha personalidade, embora eu vá publicar aqui as datas de algumas palestras minhas (isto por conta de pedido de amigos), mas também de outros colaboradores do espiritismo e de eventos espíritas em Goiânia e fora daqui.
Aqueles que visitarem, sejam bem vindos!


"A maior caridade que podemos fazer pela doutrina espírita é sua divulgação." -Emmanuel-

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

HOMOSSEXUALIDADE

Pergunta - Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher? Resposta: - Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar. Item n° 202, de "O Livro dos Espíritos".
A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação. Observada a ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade, constituída na Terra pela maioria heterossexual, do que com as verdades simples da vida, essa mesma ocorrência vai crescendo de intensidade e de extensão, com o próprio desenvolvimento da Humanidade, e o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais. A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinqüência. A vida espiritual pura e simples se rege por afinidades eletivas essenciais; no entanto, através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.
O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta. A face disso, a individualidade em trânsito, da experiência feminina para a masculina ou vice versa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se análogo processo com referência à mulher nas mesmas circunstâncias. Obviamente compreensível, em vista do exposto, que o Espírito no renascimento, entre os homens, pode tomar um corpo feminino ou masculino, não apenas atendendo-se ao imperativo de encargos particulares em determinado setor de ação, como também no que concerne a obrigações regenerativas. O homem que abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de uniões construtivas e lares diversos, em muitos casos é induzido a buscar nova posição, no renascimento físico, em corpo morfologicamente feminino, aprendendo, em regime de prisão, a reajustar os próprios sentimentos, e a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à reencarnação em corpo morfologicamente masculino, com idênticos fins. E, ainda, em muitos outros casos, Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, conseqüentemente, na elevação de si próprios, rogam dos Instrutores da Vida Maior que os assistem a própria internação no campo físico, em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem. Escolhem com isso viver temporariamente ocultos na armadura carnal, com o que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores dificuldades, nos objetivos que abraçam. Observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um.

Fonte: Vida e Sexo, Emmanuel

Mediunidade e homossexualidade

Homossexualidade é a designação que se dá àquelas pessoas que praticam sexo com gênero semelhante. Essa prática ocorre por uma série de motivos que variam de pessoa a pessoa que assim procede. Os motivos podem ter causas na indiferenciação psíquica sexual, no desequilíbrio do chakra genésico, na imitação comportamental, na curiosidade sexual, na preferência inata ou outros de natureza não definida. Não há uma causa precisa, nem decorre, como muitos pensam, do espírito ter tido a encarnação anterior num corpo do sexo oposto. Outros, absurdamente, pensam que se trata de expiação.
A homossexualidade não é doença, tampouco significa, a priori, a existência de um conflito psíquico. Quando ela se apresenta como um conflito deve a pessoa buscar ajuda profissional para compreender-se e resolver seu problema. A necessidade de entender-se como homem ou como mulher impõe às pessoas que se coloquem como homossexuais, quando não se enquadram, pela preferência sexual que adotam, como típicos de seu gênero. Com isso, perdem a oportunidade de entender que sua natureza sexual não precisa dos estereótipos convencionais. Cada ser humano tem seu sexo psíquico (definição sexual) específico. Não precisa se enquadrar neste ou naquele tipo, nem num terceiro ou quarto. Definir-se como homem ou como mulher é uma necessidade psíquica para a maioria das pessoas, por necessidade cultural (meio social), importante para que o Espírito aprenda a educar sua energia sexual.
O espírito, psiquicamente falando, não é homem, mulher ou homossexual. Embora tenha as polaridades psíquicas (masculina e feminina), pode expressar-se dentro do espectro entre uma e outra. Isso significa dizer que a expressão do espírito, encarnado ou desencarnado, pode se situar dentro da faixa que vai do masculino ao feminino. O ser humano não é homem nem mulher.
Ele se apresenta com uma das denominações por conta da correlação que naturalmente faz entre a predominância de seu psiquismo e sua anatomia genital.
Ser homossexual não quer dizer, em se tratando do homem, ter uma ´alma feminina´, isto é, ser sensível emocionalmente, pois esta característica pode estar presente em pessoas sensíveis, de ambos os sexos, independentemente de suas práticas sexuais. Geralmente, para não assinalar a preferência sexual diferenciada de alguém que é homossexual, especificamente do sexo masculino, afirma-se que a pessoa tem a ´alma feminina´. É importante que aprendamos a respeitar a preferência sexual das pessoas e que enxerguemos sua individualidade independente da opção que faça, qualquer que seja. Da mesma forma, ser homossexual, em se tratando da mulher, não quer dizer ser máscula ou rude, pois tais condições podem estar presentes em qualquer pessoa.
A mediunidade não provoca a homossexualidade nem esta contribui para sua existência. Mesmo que se observe a presença de homossexuais vinculados à prática da mediunidade formal (no Espiritismo, na Umbanda, no Candomblé e demais seitas ou religiões mediúnicas), isso não é suficiente para se estabelecer qualquer relação de causalidade. A mediunidade está presente nos heterossexuais e nos homossexuais, isto é, em todos os seres humanos, independentemente de sua opção sexual. O uso da energia psíquica no campo sexual não está associado ao desenvolvimento da mediunidade, tampouco acelera ou retarda sua expressão.
A homossexualidade que se observa em certos médiuns ostensivos, quando é vivida com culpa, interfere nas comunicações mediúnicas por conta da intensidade do complexo psíquico gerado. As comunicações intelectuais tendem a ter um formato salvacionista e consolatório muito mais intenso e pesado. Os médiuns ostensivos que são homossexuais e que carregam uma culpa muito grande, por conta de suas práticas sexuais, condenadas socialmente, sofrem pela própria discriminação que fazem consigo mesmos. Sua culpa interfere nos processos mediúnicos e no conteúdo das comunicações espirituais que porventura emitam.
A vivência da homossexualidade sem culpa requer a compreensão da própria personalidade, a fim de não fazê-la sucumbir às exigências coletivas, encarando o desafio de realizar seu sentido interno de viver. Para isso é preciso libertar-se dos preconceitos que impedem a felicidade no amor, isto é, amar outra pessoa como forma de alcançar o sentido supremo de viver, que é ser feliz sem infelicitar a outrem. A experiência de ser homossexual deve ser validada quando proporciona o crescimento da pessoa através do amor. Este sim, deve estar presente qualquer que seja a preferência sexual do indivíduo. Geralmente, quando lidamos com a homossexualidade, em nós ou em alguém, colocamos em nosso julgamento a pobreza moral ao emitir juízos de valor. O desequilíbrio porventura existente numa relação homossexual não está por conta da semelhança do gênero, mas no psiquismo dos indivíduos, que pode conter complexos desestruturantes. Nada há no Espiritismo que estimule a prática homossexual, tampouco que a reprima, pois se trata apenas de uma expressão do Espírito em busca de si mesmo.
Já vivemos a experiência homossexual em algum período de nossa evolução, por conta da indiferenciação sexual característica dos primórdios da humanidade.
A transferência que normalmente os médiuns fazem para com os espíritos que se comunicam através deles, considerando-os gurus e salvadores, quando não os consideram santos, impede que eles próprios percebam sua verdadeira natureza. Tal mecanismo projetivo pode confundir a própria sexualidade do médium, que se esquece de conservar sua identidade sexual, já que a maioria dos espíritos desencarnados evita falar com naturalidade sobre sexo.
Sexo e mediunidade são temas distintos. O desejo sexual mobiliza a energia psíquica e a mediunidade é um sistema de comunicação espiritual pela via do inconsciente.

Fonte: Adenáuer Novaes, Psicologia e Mediunidade

A VISÃO ESPÍRITA DA HOMOSSEXUALIDADE

QUAIS OS FATORES QUE LEVAM UMA PESSOA A SENTIR ATRAÇÃO POR OUTRA DO
MESMO SEXO? 
COMO LIDAR COM O HOMOSSEXUAL?

Dr. Roberto Lúcio Vieira de Souza
Associação Médico-Espírita do Brasil

Há muito tempo, a homossexualidade vem sendo um motivo de preocupação e questionamentos em todos os campos de estudo. Entretanto, encontramos muito pouca literatura realmente idônea acerca do tema, provavelmente em virtude da delicadeza do assunto.
Na lembrança de Emmanuel, na introdução do livro Vida e Sexo, reafirmamos que nossa Terra não possui elemento humano em condições de se dizer mestre no tema sexualidade, pois temos um “telhado de vidro” e o nosso posicionamento poderá ser hipócrita ao querermos julgar ou ensinar o que ainda não vivenciamos. Ao aceitarmos o desafio do tema, fazemos na condição de simples aprendizes, com a preocupação de que nossa pesquisa e nossas proposições sirvam como alavanca para outros profissionais da área de saúde e companheiros de ideal espírita, objetivando auxiliar verdadeiramente aqueles que passam pela provação do desvio sexual.
A homossexualidade é a condição do indivíduo na qual sua preferência sexual, tanto afetiva como genital, está direcionada para parceiros do mesmo sexo, sendo que essa preferência pode ser exclusiva ou predominantemente homossexual. Alguns estudiosos tentam diferenciar a homossexualidade do homossexualismo, entendendo a primeira como simples atração sexual e o segundo como a vivência desta, ou seja, uma seria a tendência e o outro, a prática.
A visão espírita
A questão 202 de O Livro dos Espíritos afirma: “Quando errante, o que prefere o espírito: encarnar no corpo de um homem ou de uma mulher? Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que haja de passar”.
Essa colocação da codificação demonstra a existência da bissexualidade psicológica do espírito, o que não identifica uma concordância com a vivência bissexual do ser enquanto encarnado no campo da genitalidade. Posteriormente, essa postura doutrinária encontraria confirmação nos estudos da psicanálise.
Na Revista Espírita, Allan Kardec assim se expressa quanto às experiências sexuais do espírito em suas diversas encarnações: “É com o mesmo objetivo que os espíritos encarnam nos diferentes sexos. Aquele que foi homem poderá renascer mulher e aquele que foi mulher poderá renascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições e sofrer as provas. (...) Pode acontecer que o espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, fazendo com que, durante muito tempo, possa conservar no estado de espírito o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa”.
Por meio da mediunidade de Chico Xavier, André Luiz assim esclarece: “Na essência, o sexo é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser. É natural que o espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos nas linhas evolutivas da mulher e que o espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem”.
É essa condição de que o sexo seja mental, como bem esclarece a codificação e as obras secundárias, que pode explicar a questão da homossexualidade. Se o sexo não fosse mental, não haveria razão para a existência de tal condição, já que a morfologia do corpo não se superpõe aos poderes da mente, mas se sujeita às suas ordens. E essa estrutura psicológica na qual se erguem os destinos foi manipulada com os ingredientes do sexo através de milhares de reencarnações, conforme afirma Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier.
Dupla experiência
Na vida espiritual, cada espírito será definido em conformidade com as qualidades masculinas ou femininas que forem predominantes em seu campo mental. Segundo a visão da maioria dos estudiosos espíritas, o espírito precisa passar pelas experiências dos dois sexos, porque o campo do aprendizado de cada um é diferente. Assim, através de milênios e milênios, o espírito passa por uma imensa fieira de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade mais ou menos pronunciado em quase todas as criaturas. Desse modo, o homem e a mulher serão, respectivamente, acentuadamente masculino ou feminino, sem especificação psicológica absoluta, como nos explica Emmanuel.
Avaliando a situação, André Luiz assim se expressa: “Na crosta planetária, os temas sexuais são levados em conta na base dos sinais físicos que diferenciam o homem da mulher e vice-versa. No entanto, isso não define a realidade integral, porquanto, regendo esses marcos, permanece um espírito imortal, com idade às vezes multimilenária, encerrando consigo a soma de experiências complexas, o que obriga a própria ciência terrena a proclamar presentemente que masculinidade e feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana do ponto de vista psicológico. Homens e mulheres, em espírito, apresentam certa porcentagem mais ou menos elevada de características viris e femininas em cada indivíduo, o que não assegura possibilidade de comportamento íntimo normal para todos, segundo a conceituação de normalidade que a maioria dos homens estabelece para o meio social”.
Desse modo, Camilo, espírito orientador de J. Raul Teixeira, afirma que, “provenientes dos recônditos da alma, local em que se alocam reminiscências de desrespeito e de crimes hediondos cometidos contra as leis morais que são presentes nas consciências humanas ou, por outro lado, decorrentes de processos educacionais deletérios que se apoiaram em inclinações morais deficitárias e ainda não suficientemente amadurecidas para a verdadeira liberdade, os dramas homossexuais têm lugar na intimidade das criaturas largamente”. Motivados também por terríveis programas obsessivos que antigos inimigos desencarnados engendram por vingança ou decorrentes de perturbações psiquiátricas não devidamente diagnosticadas, inúmeros e variados quadros homossexuais explodem aqui e acolá.
Aproveitando essas últimas colocações, tentamos classificar, do ponto de vista doutrinário, as causas da homossexualidade em: morais, educacionais, obsessivas e psiquiátricas.
Causas morais

No campo das causas morais, encontramos aquelas criaturas que abusaram das faculdades genésicas tanto da posição masculina como da feminina, arruinando a vida de outros indivíduos, destruindo uniões e lares diversos. Elas são induzidas a procurarem uma nova posição ao reencarnarem, em corpos físicos opostos às suas estruturas psicológicas, a fim de que possam aprender, em regime de prisão, a reajustarem seus próprios sentimentos.
Encontramos também aqueles que persistem nessas práticas por uma busca hedonista, sem maior compromisso com a vida, que reencarnam assim na tentativa de retratarem suas posições em nova chance de resgate. São espíritos rebeldes, pertinazes em seus erros, que encontram na questão da inversão sexual uma oportunidade para o refazimento de suas vidas, na qual a lei divina lhes coloca diante de situações semelhantes ao passado de faltas, cobrando-lhes posturas mais éticas perante si e o outro.

Causas educacionais

As causas educacionais podem ser agrupadas em atávicas e atuais. A atávica é resultado de vivências repetitivas dos espíritos em culturas e comunidades onde a prática homossexual seria aceita e até estimulada, como na Grécia antiga e em certas tribos indígenas, ou nas sociedades culturais e religiosas que segregavam ou segregam seus membros, facilitando esse comportamento nas criaturas. Assim, ao reencarnarem em um local onde o homossexualismo não fosse mais aceito como prática livre, esbarrariam em sua condição viciosa.
Já dentro das atuais, temos aquelas causas advindas dos defeitos de educação nos lares, onde o comprometimento dos afetos já estaria presente anteriormente, em que as paixões deterioradas do passado tendem a levar pais e parentes ascendentes a estimularem posturas psicológicas e sexuais inversas ao seu estado físico em seus descendentes, sem que necessariamente ocorressem comportamentos ostensivamente incestuosos. Encontramos também os casos de pais contrariados em seus desejos quanto ao sexo do rebento, levando-o a uma condição inversa ao de seu sexo físico ou aqueles dos quais a entidade reencarnante, ao perceber esse desejo inconsciente dos pais, busca se adaptar patologicamente a essa situação durante o processo da gestação.
Outra causa está na presença de segmentos atuais da sociedade e da cultura estimulando esse tipo de conduta, quando uma linguagem mais política e sem qualquer comprometimento ético, através dos vários meios de comunicação de massa, estimula e condiciona as criaturas a acreditarem que essas vivências seriam uma postura natural, dependendo unicamente da escolha realizada pelo indivíduo. Esse posicionamento vai de encontro a uma visão social mais ampla, que continua atribuindo ao homossexualismo uma condição de marginalidade, mantendo um processo de segregação social e associando a ele outras posturas marginalizadas, como o abuso das drogas e a prostituição, agravando ainda mais a situação daqueles que optaram por esse caminho sexual.

Causas obsessivas

Entre esse tipo de causa, podemos citar os casos em que parceiros do passado delituoso, em processos homossexuais ou vivências heterossexuais pervertidas, reencontram-se em condição de ódio ou paixão doentia, estimulando uma postura homossexual no encarnado com o objetivo de atender o desencarnado em seus anseios viciosos ou de levar sua vítima para uma situação constrangedora e de intenso sofrimento.
Esses desencarnados poderiam estar em uma condição mental de homossexualidade ou não, induzindo o encarnado em um projeto de total desestruturação íntima e social.
O processo obsessivo não precisa necessariamente ter sua origem em uma encarnação anterior. Ocorre que, nos casos de uma obsessão atual, os parceiros da vivência patológica participam de opções de vida viciosas, onde geralmente o encarnado invigilante busca posições mentais sexualmente pervertidas ou locais nos quais esses comportamentos são socialmente aceitos, condicionando-se a essas práticas.
Uma outra situação possível, oriunda de um processo obsessivo, seria aquela na qual um espírito obsediando um encarnado em posição sexual inversa à sua, enfermado por uma interação intensa e duradoura, passa a sentir prazer sexual semelhante à sua vítima, pervertendo-se nesse campo e se condicionando a uma vivência homossexual em uma próxima encarnação.
Nesses casos, a situação obsessiva teria existido em uma encarnação anterior e a homossexualidade seria a desdita daquele que teria sido o algoz naquela vivência. Seria o famoso caso em que “o tiro saiu pela culatra”.

Causas psiquiátricas

São causas que reúnem casos nos quais a criatura, presa a um processo de deficiência mental ou de desestruturação psicótica, vê-se com a crítica comprometida, permitindo-se condutas sexuais das mais diversas, sem necessariamente existir uma escolha do objeto de desejo ou compreensão da condição moral.
São relações homossexuais sem necessariamente representarem opções de homossexualidade. Resultam de um passado delituoso em outras áreas que influenciam a criatura nos vários setores de sua vida.
No campo da psicopatologia, encontramos ainda os transtornos psicopáticos, nos quais as criaturas se posicionam em uma condição de amoralidade e imoralidade, optando por uma vida de prazeres sem limites, não se constrangendo na busca do hedonismo por nenhum motivo, estimulando a homossexualidade em si e nas criaturas psiquicamente influenciáveis.
De maneira especial, temos os processos gerados por vivências traumáticas na infância, quando a criança seduzida sexualmente por um de seus ascendentes familiares viu-se condicionada por ele a adotar um comportamento sexual invertido (como, por exemplo, um pai que utiliza sexualmente um filho) ou, então, quando o jogo de sedução e perversão realizado por parentes de sexos opostos provoca uma situação de ódio intenso, levando a criança ou o jovem a fazer uma opção pela homossexualidade como forma de rejeitar aquela vivência.

A terapêutica espírita

A doutrina dos espíritos nos oferece recursos em diversas áreas de atuação, capazes de facilitar não só a compreensão das pessoas ligadas direta ou indiretamente nos casos de homossexualismo, mas também proporcionando condições de mudança para os que buscam se renovar.
Do ponto de vista do conhecimento doutrinário, ou seja, do contato do indivíduo com as verdades espíritas, estas lhe facilitam a compreensão daquilo que a criatura está passando, despertam as idéias no campo da reencarnação, da lei de causa e efeito, da busca da realidade maior acerca do caminho mais adequado para sua melhoria e das técnicas espíritas para o tratamento. Elas abrirão espaço para que a criatura pense por um outro ângulo, conscientizando-se da necessidade de renovação.
Os aspectos filosóficos ampliam o campo de abordagem, fazem com que a pessoa pense nas possíveis causas que a levaram à situação da homossexualidade, à real gravidade de seu comportamento e das prováveis conseqüências de seus atos. O ângulo religioso oferece ao indivíduo a oportunidade de conhecer um caminho orientado pela verdadeira ética, o consolo ao aceitar o chamado de renovação e a certeza do amor divino através dos mensageiros do alto, que o velam e amparam, sustentando-o quando assume propósitos superiores.
A terapêutica espírita nos proporciona recursos energéticos através do passe, da água fluidificada e da sintonia pela prece. Estes são capazes de serenar o ser em sua constante busca de paz e alegria. Os conhecimentos da ciência espírita demonstram a realidade do processo em si próprio, as conseqüências energéticas do corpo físico e dos demais corpos da individualidade espiritual e de como seus instrumentos terapêuticos podem ser eficazes. Oferecem também, através do esclarecimento e auxílio mediúnico, a assistência aos desencarnados vinculados ao processo, aliviando os irmãos que se alimentam dessas energias psíquicas viciosas.

Desafios na psicoterapia

A dinâmica do trabalho psicoterapêutico nos exige recursos para auxiliarmos a quem nos procura, sem, no entanto, exigirmos do indivíduo aquilo que ele ainda é incapaz de dar, não significando essa atitude uma conivência com o erro.
A postura do terapeuta espírita não pode repetir a posição de preconceitos e exigências moralistas ou de permissividade presentes na maioria das criaturas.
O paciente espera uma compreensão de sua dor, de atitudes e auxílio que permitam a ele encontrar o caminho de mudança, sem o constrangimento de nossa intransigência que, na maior parte das vezes, afasta a criatura do tratamento, fazendo-a persistir no sofrimento, sem uma chance concreta de encontrar a saída tão esperada.
É papel fundamental do terapeuta entender o homossexual como um ser fragilizado, complicado por seu passado e pela ilusão na crença do prazer a qualquer custo, não como uma criatura má, sem escrúpulos, que contamina a sociedade como epidemia grave e fatal. Relembrar que, no campo da sexualidade, a imensa maioria da humanidade se encontra no mesmo lodaçal, precisando rever conceitos e atitudes, pois a realidade é que o sexo precisa ser dignificado e divinizado onde quer que se manifeste. Compreender que, primeiramente, a questão dos desvarios da sexualidade não parte somente da escolha do parceiro sexual, mas da postura íntima da criatura, que vê no sexo um simples mecanismo de prazer e, no outro, o instrumento para alcançar esse fim.
Sabemos, como o apóstolo Paulo nos lembra em sua epístola aos romanos, que existe um uso dito natural para o sexo. Isso não compreende apenas a questão da escolha do parceiro, mas também uma postura mais radical em relação aos moldes vividos pela nossa sociedade, na qual os parceiros sexuais deveriam se entregar ao relacionamento apenas para a procriação e com mútuo consentimento, como opção diante das dificuldades de se manterem castos e sempre voltados aos aspectos espirituais.
O sexo deve ser uma fonte de bênçãos renovadoras do corpo e da alma, como diz André Luiz em Conduta Espírita. Assim, toda postura de orientação deve ter como objetivo as condições que possibilitem à criatura alcançar esse estado abençoado.

Homossexualidade e Espiritismo

Teremos algumas publicações (desta em diante) que terão como assunto a homossexualidade e/ou homossexualismo na visão espírita.
Seguem abaixo dois trechos de textos de André Luiz e Manoel Philomeno de Miranda falando do tema, além de 03 (dois) vídeos com os médium Divaldo Pereira Franco e Chico Xavier falando sobre este assunto. 








“Face aos processos evolutivos, muitos Espíritos transitam na condição homossexual, o que não lhes permite comportamentos viciosos, estando previsto para o futuro, um número tão expressivo que chamará a atenção dos psicólogos, sociólogos, pedagogos, que deverão investir melhores e mais amplos estudos em torno dos hábitos humanos e da sua conduta sexual.” – Manoel Philomeno de Miranda, Sexo e Obsessão
 
“Tendo Neves formulado consulta sobre os homossexuais, Félix demonstrou que inúmeros Espíritos reencarnam em condições inversivas, seja no domínio de lides expiatórias ou em obediência a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam. Referiu ainda que homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, como são suscetíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação, aditando que a alma reencarna, nessa ou naquela circunstância, para melhorar e aperfeiçoar-se e nunca sob a destinação do mal, o que nos constrange a reconhecer que os delitos, sejam quais sejam, em quaisquer posições, correm por nossa conta. À vista disso, destacou que nos foros da Justiça Divina, em todos os distritos da Espiritualidade Superior, as personalidades humanas tachadas por anormais são consideradas tão carecentes de proteção quanto as outras que desfrutam a existência garantida pelas regalias da normalidade, segundo a opinião dos homens, observando-se que as faltas cometidas pelas pessoas de psiquismo julgado anormal são examinadas no mesmo critério aplicado às culpas de pessoas tidas por normais, notando-se, ainda, que, em muitos casos, os desatinos das pessoas supostas normais são consideravelmente agravados, por menos justificáveis perante acomodações e primazias que usufruem, no clima estável da maioria.” – André Luiz, Sexo e Destino

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Joanna De Ângelis, livro Estudos Espíritas


Deus

Conceito
Toda e qualquer tentativa para elucidar a magna questão da divindade redunda sempre inócua, senão infrutífera, traduzindo esse desejo a vã presunção humana, na incessante faina de tudo definir e entender.
Acostumado ao imediatismo da vida física e suas manifestações, o homem ambiciona tudo submeter ao capricho da sua lógica débil, para reduzir à sua ínfima capacidade intelectual a estrutura causal do Universo, bem assim as fontes originárias do Criador.
Desde tempos imemoriais, a interpretação da divindade têm recebido os mais preciosos investimentos intelectivos que se possam imaginar. Originariamente confundido com a sua obra, [Deus] mereceu ser temido pelos povos primitivos que legaram às culturas posteriores a sedimentação supersticiosa das crendices em que fundamentavam o seu tributo de adoração, transitando mais tarde para a humanização da divindade mesma, eivada pelos sentimentos e paixões transferidos da própria mesquinhez do homem.
À medida, porém, que os conceitos éticos e filosóficos evoluíram, a compreensão da sua natureza igualmente experimentou consideráveis alterações. Desde a manifestação feroz à dimensão transcendental, o conceito do Ser Supremo recebeu de pensadores e escolas de pensamento as mais diversas proposições, justificando ou negando-lhe a realidade.
Insuficientes todos os arremedos filosóficos e culturais, quanto científicos, posteriormente, para uma perfeita elucidação do tema, concluiu-se pela legitimidade da sua existência, graças a quatro grupos de considerações, capazes de demonstrá-lo de forma irretorquível e definitiva, a saber:
a) cosmológicas, que o explicam como a Causa Única da sua própria causalidade, portanto real, sendo necessariamente possuidor das condições essenciais para preexistir antes da Criação e sobre-existir ao sem-fim dos tempos e do Universo;
b) ontológicas, que o apresentam perfeito em todos os seus atributos e na própria essência, explicando, por isso mesmo, a sua existência, que, não sendo real, não justificaria sequer a hipótese do conceito, deixando, então, de ser perfeito. Procederam tais argumentações desde Santo Anselmo, dos primeiros a formulá-las, enquanto as de ordem cosmológica foram aplicadas inicialmente por Aristóteles, que o considerava o “Primeiro motor, o motor não movido, o Ato puro”, consideração posteriormente reformulada por Santo Tomás de Aquino, que nela fundamentou a quase totalidade da teologia católica;
c) teleológicas, mediante as quais o pensamento humano, penetrando na estrutura e ordem do Universo, não encontra outra resposta além daquela que procede da existência de um Criador. Ante a harmonia cósmica e a beleza, quanto à grandeza matemática e estrutural das galáxias e da vida, uma resultante única surge: tal efeito procede de uma Causa perfeita e harmônica, sábia e infinita;
d) morais, defendidas por Immanuel Kant, inimigo acérrimo das demais, que, no entanto, eram apoiadas por Spinoza, Bossuet, Descartes e outros gênios da fé e da razão. Deus está presente no homem, mediante a sua responsabilidade moral e a sua própria liberdade, que lhe conferem títulos positivos e negativos, conforme o uso que delas faça, do que decorrem as linhas mestras do dever e da autoridade. Essa presença na inteligência humana, intuitiva, persistente, universal, faz que todos os homens de responsabilidade moral sejam conscientemente responsáveis, atestando assim, inequivocamente, a realidade de um Legislador Absoluto, Suprema Razão da Vida.
Olhai o firmamento e vede a obra das suas mãos, proclama o salmista Davi, no canto dezenove, verso primeiro, conduzindo a mente humana à interpretação teleológica, cosmológica e cosmogônica, para entender Deus.
Examina a estrutura de uma molécula e o seu finalismo, especialmente diante do ADN, do ARN de recente investigação pela Ciência, que somente pouco a pouco penetra na essência constitutiva da forma, na vida animal, e a própria indagação responde silogisticamente de maneira a conduzir o inquiridor à causa essencial de tudo: Deus!
Outros grupos de estudiosos classificam os múltiplos argumentos em ordens diferentes: metafísicos, morais, históricos e físicos, abrangendo toda a gama do existente e do concebível.

Desenvolvimento
Diversas escolas filosóficas do século passado desejaram padronizar as determinações divinas e a própria divindade em linhas de fácil assimilação, na pretensão de limitarem o ilimitado. Outras correntes de pesquisadores aferrados a cruento materialismo, na condição de herdeiros diretos do Atomismo greco-romano, do pretérito, descendentes, a seu turno, de Lord Bacon, como dos sensualistas e céticos dos séculos XVIII e XIX, zombando da fé ingênua e primitiva, escravizada nos dogmas ultramontanos dos religiosos do passado, tentaram aniquilar histórica e emocionalmente a existência de Deus, por incompatível com a razão, conforme apregoavam, mediante sistemas sofistas e conclusões científicas apressadas, como se a própria razão não fosse perfeitamente confluente com o sentimento de fé, inato em todo homem, como o demonstram os multifários períodos da História. Sócrates já nominava Deus como “A Razão Perfeita”, enquanto Platão o designava por “Ideia do Bem”.
O neoplatonismo, com Plotino, propôs o renascimento do Panteísmo, fazendo “Deus, o Uno Supremo”, que reviverá em Spinoza, não obstante algumas discussões na forma de Monismo, que supera na época o Dualismo cartesiano. O monismo recebia entusiástico apoio de Fichte, Hegel, Schelling e outros, enquanto larga faixa de pensadores e místicos religiosos empenhava-se na sobrevivência do Dualismo.
Mais de uma vez alardeou-se que “Deus havia morrido”, proclamando-se a desnecessidade da fé como da sua paternidade, para, imediatamente, reiteradas vezes, com a mesma precipitação, voltarem esses negadores a aceitar a sua realidade.
A personagem concebida por Nietzsche, que sai à rua difundindo haver “matado Deus”, chamando a atenção dos passantes, após o primeiro choque produzido nos círculos literários e intelectuais do mundo, no passado, estimulou outras mentes à negação sistemática. Fenômeno idêntico acontecera no século anterior, quando os convencionais franceses, supondo destruir Deus, expulsaram os religiosos de Paris e posteriormente de todo o país, entronizando a jovem Candeille, atormentada bailarina do Ópera, como a Deusa Razão, que deveria dirigir os destinos do pensamento intelectual de então, ante Robespierre e outros, em Notre-Dame. Logo, porém, depois de múltiplas vicissitudes, o curto período da Razão fez que Deus retornasse à França, e muitos dos seus opositores a Ele se renderam, declarando haver voltado ao seu regaço, cabisbaixos, arrependidos, melancólicos. Deus vencia, mais uma vez, a prosápia utopista da ignorância humana!
Repetida a experiência no último quartel do “século das luzes”, tornou a ser exilado da Filosofia e da Ciência por uns e reconduzido galhardamente por outros expoentes culturais da Humanidade.
Novamente, ante o passo avançado da tecnologia moderna, pela multiplicidade das ciências atuais, pretende-se um Cristianismo sem Deus, uma Teologia não teísta, fundamentada em cogitações apressadas, que pretendem levar o homem à “busca das suas origens”, como desejando reconduzi-lo à furna, em vez de situá-lo na Natureza, mantê-lo selvagem por incapacidade de fazê-lo sublime.
Tal fenômeno reflete a apressada decadência histórica e moral das velhas instituições, na Terra de hoje, inaugurando uma Nova Era...
As construções sociais e econômicas em falência, as arquiteturas religiosas em soçobro, as aferições dos valores psicológicos e psicotécnicos negativamente surpreendentes, o descrédito inspirado pelos dominadores, em si mesmos dominados, pelos vencedores lamentavelmente vencidos pela inferioridade das paixões em que se consomem, precipitaram o agoniado espírito humano na “busca do nada”, das formas primeiras, rompendo com tudo, como se fora possível abandonar a herança divina inata indistintamente em todas as criaturas, para tentar esquecer, apagar e confundir a inteligência com os impulsos dos instintos, num contumaz e malsinado esforço de contraditório retorno às experiências primitivistas da forma, quando ainda nas fases longevas de formações e reformações biodinâmicas...
Concomitantemente, porém, surgem figurações morais, espirituais, místicas e científicas, sofrendo os embates que a dúvida e o ceticismo impõem, resistindo, todavia, estoicamente, na afirmação da existência de Deus, apoiadas pela Filosofia e Ética espíritas, que são as novas matrizes da Religião do Amor, pregada e vivida por nosso Senhor Jesus Cristo.

Conclusão
“Deus é Amor”, afirmava João.
“Meu Pai”, dizia reiteradamente Jesus, conceituando-o da forma mais vigorosa e perfeita que se possa imaginar.
E Allan Kardec, mergulhando as nobres inquirições filosóficas nas fontes sublimes da Espiritualidade Superior, recolheu por meio dos Imortais que “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”, em admirável síntese, das mais felizes, completando a argumentação com a asserção de que o homem deve estudar “as próprias imperfeições a fim de libertar-se delas, o que será mais útil do que pretender penetrar no que é impenetrável”, concordante com o ensino do Cristo, em João: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram, o adorem em espírito e verdade.”

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Ciùme

Joanna Ângelis, O Ser Consciente


Tipificando insegurança psicológica e desconfiança sistemática, a presença do ciúme na alma transforma-se em algoz implacável do ser. O paciente que lhe tomba nas malhas estertora em suspeitas e verdades, que nunca encontram apoio nem reconforto.

Atormentado pelo ego dominador, o paciente, quando não consegue asfixiar aquele a quem estima ou ama, dominando-lhe a conduta e o pensamento, foge para o ciúme, em cujo campo se homizia a fim de entregar-se aos sofrimentos masoquistas que lhe ocultam a imaturidade, a preguiça mental e o desejo de impor-se à vítima de sua psicopatologia.

No aturdimento do ciúme, o ego vê o que lhe agrada e se envolve apenas com aquilo em que acredita, ficando surdo à razão, à verdade.

O ciúme atenaza quem o experimenta e aquele que se lhe torna alvo preferencial.

O ciumento, inseguro dos próprios valores, descarrega a fúria do estágio primitivista em manifestações ridículas, quão perturbadoras, em que se consome. Ateia incêndios em ocorrências imaginárias, com a mente exacerbada pela suspeita infeliz, e envenena-se com os vapores da revolta em que se rebolca, insanamente.

Desviando-se das pessoas e ampliando o círculo de prevalência, o ciúme envolve objetos e posições, posses e valores que assumem uma importância alucinada, isolando o paciente nos sítios da angústia ou armando-o com instrumentos de agressão contra todos e tudo.

O ciúme tende a levar sua vítima à loucura.

O ego enciumado fixa o móvel da existência no desejo exorbitante e circunscreve-se à paixão dominadora, destruindo as resistências morais e emocionais, que terminam por ceder-lhe as forças, deixando de reagir.

Armadilha do ego presunçoso, ele merece o extermínio através da conquista de valores expressivos, que demonstrem ao próprio indivíduo as suas possibilidades de ser feliz.

Somente o self pode conseguir essa façanha, arrebentando as algemas a que se encontra agrilhoado, para assomar, rico de realizações interiores, superando a estreiteza e os limites egóicos, expandindo-se e preenchendo os espaços emocionais, as aspirações espirituais, vencidos pelos gases venenosos do ciúme.

Liberando-se da compressão do ciúme, a pouco e pouco, o eu profundo respira, alcança as praias largas da existência e desfruta de paz com alguém ou não, com algo ou nada, porém com harmonia, com amor, com a vida.

Matéria mental (André Luiz)

André Luiz, Mecanismos da Mediunidade

Matéria mental

Pensamento do Criador


Identificando o Fluido Elementar ou Hálito Divino por base mantenedora de todas as associações da forma nos domínios inumeráveis do Cosmo, do qual conhecemos o elétron como sendo um dos corpúsculos-base, nas organizações e oscilações da matéria, interpretaremos o Universo como um todo de forças dinâmicas, expressando o Pensamento do Criador. E superpondo-se-lhe à grandeza indevassável, encontraremos a matéria mental que nos é própria, em agitação constante, plasmando as criações temporárias, adstritas à nossa necessidade de progresso.
No macrocosmo e no microcosmo, tateamos as manifestações da Eterna Sabedoria que mobiliza agentes incontáveis para a estruturação de sistemas e formas, em variedade infinita de graus e fases, e entre o infinitamente pequeno e o infinitamente grande surge a inteligência humana, dotada igualmente da faculdade de mentalizar e co-criar, empalmando, para isso, os recursos intrínsecos à vida ambiente.
Nos fundamentos da Criação vibra o pensamento imensurável do Criador e sobre esse plasma divino vibra o pensamento mensurável da criatura, a constituir-se no vasto oceano de força mental em que os poderes do Espírito se manifestam.

Pensamento das criaturas

Do Princípio Elementar, fluindo incessantemente no campo cósmico, auscultamos, de modo imperfeito, as energias profundas que produzem eletricidade e magnetismo, sem conseguir enquadrá-las em exatas definições terrestres, e, da matéria mental dos seres criados, estudamos o pensamento ou fluxo energético do campo espiritual de cada um deles, a se graduarem nos mais diversos tipos de onda, desde os raios super-ultra-curtos, em que se exprimem as legiões angélicas, através de processos ainda inacessíveis à nossa observação, passando pelas oscilações curtas, médias e longas em que se exterioriza a mente humana, até às ondas fragmentárias dos animais, cuja vida psíquica, ainda em germe, somente arroja de si determinados pensamentos ou raios descontínuos.
Os Espíritos aperfeiçoados, que conhecemos sob a designação de potências angélicas do Amor Divino, operam no micro e no macrocosmo, em nome da Sabedoria Excelsa, formando condições adequadas e multiformes à expansão, sustentação e projeção da vida, nas variadas esferas da Natureza, no encalço de aquisições celestiais que, por enquanto, estamos longe de perceber. A mente dos homens, indiretamente controlada pelo comando superior, interfere no acervo de recursos do Planeta, em particular, aprimorando-lhe os recursos na direção do plano angélico, e a mente embrionária dos animais, influenciada pela direção humana, hierarquiza-se em serviço nas regiões inferiores, da Terra, no rumo das conquistas da Humanidade.

Corpúsculos mentais

Como alicerce vivo de todas as realizações nos planos físico e extra-físico, encontramos o pensamento por agente essencial. Entretanto, ele ainda é matéria, – a matéria mental, em que as leis de formação das cargas magnéticas ou dos sistemas atômicos prevalecem sob novo sentido, compondo o maravilhoso mar de energia sutil em que todos nos achamos submersos e no qual surpreendemos elementos que transcendem o sistema periódico dos elementos químicos conhecidos no mundo.
Temos, ainda aqui, as formações corpusculares, com bases nos sistemas atômicos em diferentes condições vibratórias, considerando os átomos, tanto no plano físico, quanto no plano mental, como associações de cargas positivas e negativas.
Isso nos compele naturalmente a denominar tais princípios de “núcleos, prótons, nêutrons, posítrons, elétrons ou fótons mentais”, em vista da ausência de terminologia analógica para estruturação mais segura de nossos apontamentos.
Assim é que o halo vital ou aura de cada criatura permanece tecido de correntes atômicas sutis dos pensamentos que lhe são próprios ou habituais, dentro de normas que correspondem à lei dos “quanta de energia” e aos princípios da mecânica ondulatória, que lhes imprimem freqüência e cor peculiares.
Essas forças, em constantes movimentos sincrônicos ou estado de agitação pelos impulsos da vontade, estabelecem para cada pessoa uma onda mental própria.

Matéria mental e matéria física

Em posição vulgar, acomodados às impressões comuns da criatura humana normal, os átomos mentais inteiros, regularmente excitados, na esfera dos pensamentos, produzirão ondas muito longas ou de simples sustentação da individualidade, correspondendo à manutenção de calor. Se forem os elétrons mentais, nas órbitas dos átomos da mesma natureza, a causa da agitação, em estados menos comuns da mente, quais se iam os de atenção ou tensão pacífica, em virtude de reflexão ou oração natural, o campo dos pensamentos exprimir-se-á em ondas de comprimento médio ou de aquisição de experiência, por parte da alma, correspondendo à produção de luz interior. E se a excitação nasce dos diminutos núcleos atômicos, em situações extraordinárias da mente, quais sejam as emoções profundas, as dores indizíveis, as laboriosas e aturadas concentrações de força mental ou as súplicas aflitivas, o domínio dos pensamentos emitirá raios muito curtos ou de imenso poder transformador do campo espiritual, teoricamente semelhantes aos que se aproximam dos raios gama.
Assim considerando, a matéria mental, embora em aspectos fundamentalmente diversos, obedece a princípios idênticos àqueles que regem as associações atômicas, na esfera física, demonstrando a divina unidade de plano do Universo.

Indução mental

Recorrendo ao “campo” de Einstein, imaginemos a mente humana no lugar da chama em atividade. Assim como a intensidade de influência da chama diminui com a distância do núcleo de energias em combustão, demonstrando fração cada vez menor, sem nunca atingir a zero, a corrente mental se espraia, segundo o mesmo princípio, não obstante a diferença de condições.
Essa corrente de partículas mentais exterioriza-se de cada Espírito com qualidade de indução mental, tanto maior quanto mais amplos se lhe evidenciem as faculdades de concentração e o teor de persistência no rumo dos objetivos que demande.
Tanto quanto, no domínio da energia elétrica, a indução significa o processo através do qual um corpo que detenha propriedades eletromagnéticas pode transmiti-las a outro corpo sem contacto visível, no reino dos poderes mentais a indução exprime processo idêntico, porquanto a corrente mental é suscetível de reproduzir as suas próprias peculiaridades em outra corrente mental que se lhe sintonize. E tanto na eletricidade quanto no mentalismo, o fenômeno obedece à conjugação de ondas, enquanto perdure a sustentação do fluxo energético.
Compreendemos assim, perfeitamente, que a matéria mental é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que não se reduzem efetivamente a abstrações, por representarem turbilhões de força em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva, atraindo para si mesma os agentes (por enquanto imponderáveis na Terra), de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade.

Formas-pensamentos

Pelos princípios mentais que influenciam em todas as direções, encontramos a telementação e a reflexão comandando todos os fenômenos de associação, desde o acasalamento dos insetos até a comunhão dos Espíritos Superiores, cujo sistema de aglutinação nos é, por agora, defeso ao conhecimento.
Emitindo uma idéia, passamos a refletir as que se lhe assemelham, idéia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim, espontaneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir.
É nessa projeção de forças, a determinarem o compulsório intercâmbio com todas as mentes encarnadas ou desencarnadas, que se nos movimenta o Espírito no mundo das formas-pensamentos, construções substanciais na esfera da alma, que nos liberam o passo ou no-lo escravizam, na pauta do bem ou do mal de nossa escolha. Isso acontece porque, à maneira do homem que constrói estradas para a sua própria expansão ou que talha algemas para si mesmo, a mente de cada um, pelas correntes de matéria mental que exterioriza, eleva-se a gradativa libertação no rumo dos planos superiores ou estaciona nos planos inferiores, como quem traça vasto labirinto aos próprios pés.