André
Luiz, Mecanismos da Mediunidade
Matéria
mental
Pensamento
do Criador
Identificando o Fluido Elementar ou Hálito Divino por base mantenedora
de todas as associações da forma nos domínios inumeráveis do Cosmo, do qual
conhecemos o elétron como sendo um dos corpúsculos-base, nas organizações e
oscilações da matéria, interpretaremos o Universo como um todo de forças dinâmicas,
expressando o Pensamento do Criador. E superpondo-se-lhe à grandeza
indevassável, encontraremos a matéria mental que nos é própria, em agitação
constante, plasmando as criações temporárias, adstritas à nossa necessidade de
progresso.
No macrocosmo e no microcosmo, tateamos as manifestações da Eterna
Sabedoria que mobiliza agentes incontáveis para a estruturação de sistemas e formas,
em variedade infinita de graus e fases, e entre o infinitamente pequeno e o
infinitamente grande surge a inteligência humana, dotada igualmente da
faculdade de mentalizar e co-criar, empalmando, para isso, os recursos
intrínsecos à vida ambiente.
Nos fundamentos da Criação vibra o pensamento imensurável do
Criador e sobre esse plasma divino vibra o pensamento mensurável da criatura, a
constituir-se no vasto oceano de força mental em que os poderes do Espírito se
manifestam.
Pensamento
das criaturas
Do Princípio Elementar, fluindo incessantemente no campo cósmico,
auscultamos, de modo imperfeito, as energias profundas que produzem
eletricidade e magnetismo, sem conseguir enquadrá-las em exatas definições
terrestres, e, da matéria mental dos seres criados, estudamos o
pensamento ou fluxo energético do campo espiritual de cada um deles, a
se graduarem nos mais diversos tipos de onda, desde os raios
super-ultra-curtos, em que se exprimem as legiões angélicas, através de
processos ainda inacessíveis à nossa observação, passando pelas
oscilações curtas, médias e longas em que se exterioriza a mente humana,
até às ondas fragmentárias dos animais, cuja vida psíquica, ainda em germe,
somente arroja de si determinados pensamentos ou raios descontínuos.
Os Espíritos aperfeiçoados, que conhecemos sob a designação de
potências angélicas do Amor Divino, operam no micro e no macrocosmo, em
nome da Sabedoria Excelsa, formando condições adequadas e multiformes à
expansão, sustentação e projeção da vida, nas variadas esferas da
Natureza, no encalço de aquisições celestiais que, por enquanto, estamos
longe de perceber. A mente dos homens, indiretamente controlada pelo
comando superior, interfere no acervo de recursos do Planeta, em
particular, aprimorando-lhe os recursos na direção do plano angélico, e
a mente embrionária dos animais, influenciada pela direção humana, hierarquiza-se
em serviço nas regiões inferiores, da Terra, no rumo das conquistas da
Humanidade.
Corpúsculos
mentais
Como alicerce vivo de todas as realizações nos planos físico e extra-físico,
encontramos o pensamento por agente essencial. Entretanto, ele ainda é
matéria, – a matéria mental, em que as leis de formação das cargas
magnéticas ou dos sistemas atômicos prevalecem sob novo sentido,
compondo o maravilhoso mar de energia sutil em que todos nos achamos
submersos e no qual surpreendemos elementos que transcendem o sistema
periódico dos elementos químicos conhecidos no mundo.
Temos, ainda aqui, as formações corpusculares, com bases nos
sistemas atômicos em diferentes condições vibratórias, considerando os
átomos, tanto no plano físico, quanto no plano mental, como associações
de cargas positivas e negativas.
Isso nos compele naturalmente a denominar tais princípios de “núcleos,
prótons, nêutrons, posítrons, elétrons ou fótons mentais”, em vista da
ausência de terminologia analógica para estruturação mais segura de
nossos apontamentos.
Assim é que o halo vital ou aura de cada criatura permanece tecido
de correntes atômicas sutis dos pensamentos que lhe são próprios ou
habituais, dentro de normas que correspondem à lei dos “quanta de
energia” e aos princípios da mecânica ondulatória, que lhes imprimem
freqüência e cor peculiares.
Essas forças, em constantes movimentos sincrônicos ou estado de
agitação pelos impulsos da vontade, estabelecem para cada pessoa uma
onda mental própria.
Matéria
mental e matéria física
Em posição vulgar, acomodados às impressões comuns da criatura
humana normal, os átomos mentais inteiros, regularmente excitados, na
esfera dos pensamentos, produzirão ondas muito longas ou de simples
sustentação da individualidade, correspondendo à manutenção de calor. Se
forem os elétrons mentais, nas órbitas dos átomos da mesma natureza, a
causa da agitação, em estados menos comuns da mente, quais se iam os de
atenção ou tensão pacífica, em virtude de reflexão ou oração natural, o
campo dos pensamentos exprimir-se-á em ondas de comprimento médio
ou de aquisição de experiência, por parte da alma, correspondendo à
produção de luz interior. E se a excitação nasce dos diminutos núcleos
atômicos, em situações extraordinárias da mente, quais sejam as emoções
profundas, as dores indizíveis, as laboriosas e aturadas concentrações
de força mental ou as súplicas aflitivas, o domínio dos pensamentos emitirá
raios muito curtos ou de imenso poder transformador do campo espiritual,
teoricamente semelhantes aos que se aproximam dos raios gama.
Assim considerando, a matéria mental, embora em aspectos fundamentalmente
diversos, obedece a princípios idênticos àqueles que regem as
associações atômicas, na esfera física, demonstrando a divina unidade de
plano do Universo.
Indução
mental
Recorrendo ao “campo” de Einstein, imaginemos a mente humana no
lugar da chama em atividade. Assim como a intensidade de influência da chama
diminui com a distância do núcleo de energias em combustão, demonstrando fração
cada vez menor, sem nunca atingir a zero, a corrente mental se espraia, segundo
o mesmo princípio, não obstante a diferença de condições.
Essa corrente de partículas mentais exterioriza-se de cada
Espírito com qualidade de indução mental, tanto maior quanto mais amplos se lhe
evidenciem as faculdades de concentração e o teor de persistência no rumo dos
objetivos que demande.
Tanto
quanto, no domínio da energia elétrica, a indução significa o processo através
do qual um corpo que detenha propriedades eletromagnéticas pode transmiti-las a
outro corpo sem contacto visível, no reino dos poderes mentais a indução
exprime processo idêntico, porquanto a corrente mental é suscetível de
reproduzir as suas próprias peculiaridades em outra corrente mental que se lhe
sintonize. E tanto na eletricidade quanto no mentalismo, o fenômeno obedece à
conjugação de ondas, enquanto perdure a sustentação do fluxo energético.
Compreendemos assim, perfeitamente, que a matéria mental é o
instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando
as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que
não se reduzem efetivamente a abstrações, por representarem turbilhões de força
em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva, atraindo para
si mesma os agentes (por enquanto imponderáveis na Terra), de luz ou sombra, vitória
ou derrota, infortúnio ou felicidade.
Formas-pensamentos
Pelos princípios mentais que influenciam em todas as direções, encontramos
a telementação e a reflexão comandando todos os fenômenos de associação,
desde o acasalamento dos insetos até a comunhão dos Espíritos
Superiores, cujo sistema de aglutinação nos é, por agora, defeso ao
conhecimento.
Emitindo uma idéia, passamos a refletir as que se lhe assemelham,
idéia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente
à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim, espontaneamente
em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir.
É nessa projeção de forças, a determinarem o compulsório
intercâmbio com todas as mentes encarnadas ou desencarnadas, que se
nos movimenta o Espírito no mundo das formas-pensamentos, construções substanciais
na esfera da alma, que nos liberam o passo ou no-lo escravizam, na pauta
do bem ou do mal de nossa escolha. Isso acontece porque, à maneira do
homem que constrói estradas para a sua própria expansão ou que talha
algemas para si mesmo, a mente de cada um, pelas correntes de matéria
mental que exterioriza, eleva-se a gradativa libertação no rumo dos
planos superiores ou estaciona nos planos inferiores, como quem traça
vasto labirinto aos próprios pés.