Uma microscópica visão sobre o Espiritismo

A Doutrina Espírita não tem o caráter isolado de uma Religião, de uma Filosofia ou de uma Ciência, pois ela é, simultaneamente, essa tríade: Filosofia, Ciência e Religião. Se tirarmos um desses elementos da Doutrina dos Espíritos (como a chamava Léon Denis), já não há mais Espiritismo. E ela - é importante ressaltar - não é uma invenção do senhor Allan Kardec, pois tem a característica da impessoalidade. Ele foi o Codificador. Nas palavras dele:

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"Há entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos esta diferença capital; que estes são todos obra de homens, mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribuís, eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio.
Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz; nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade?
O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos." (Allan Kardec, O que é o Espiritismo)."
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Este blog visa contribuir com as reflexões sobre a Doutrina Espírita com textos meus e de autores que admiro. Não pretendo com isso exaltar minha personalidade, embora eu vá publicar aqui as datas de algumas palestras minhas (isto por conta de pedido de amigos), mas também de outros colaboradores do espiritismo e de eventos espíritas em Goiânia e fora daqui.
Aqueles que visitarem, sejam bem vindos!


"A maior caridade que podemos fazer pela doutrina espírita é sua divulgação." -Emmanuel-

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Uma visão geral de Deus em Pietro Ubaldi

[A maioria das pessoas falam de Deus como se fala de um homem cheio de paixões e vontades excêntricas. Esse ser que assim nos referimos não pode de ser Deus, é uma projeção de nossas vaidades e imperfeições. Para esclarecer melhor sobre Deus colocamos abaixo algumas afirmações de Pietro Ubaldi, em suas várias obras, sobre este tema. São Ensinos fantásticos e os que achamos mais profundos e importantes tomamos a liberdade de deixamos em negrito para o leitor].

- Textos retirados do livro Antologia Conceitual de Pietro Ubaldi. Autor: José Lopes do Sacramento - 



DEUS

1 - centro conceptual do universo - N, IV, 6
2 - a evolução da idéia de Deus é paralela à evolução humana - N,IV,12
4 - Deus não pode ser definido...  Não se podem conjugar os conceitos de Deus e de pessoa, de vez que este é circunscrição de individualidade e o infinito não pode ser circunscrito. Não se pode chegar a Deus por argumentações, porque Ele está acima de todo raciocínio. Deus não se demonstra: sente-se. Não se pode chegar a Deus mediante pura multiplicação de atributos humanos - AM, XII, 6
5 - Assim aparece Deus na alma... No plano racional, a razão procura Deus, mas, na análise, não O encontra (ciência); no plano intuitivo, Deus aparece na mente, mas somente como conceito; no plano místico, Deus aparece na consciência como sensação total interior - AM, VIII, 1
7 - Em Deus tudo resplandece numa alegria infinita, repousa numa harmonia suprema - AM,XXI,final
8 - a evolução é apenas a expansão de consciência, sobretudo nos planos internos do eu, que são os planos superiores. Deus, que é a sua meta, está de fato no interior de nós - HH, XIII, 15
9 - Deus é invisível e irreal sobre a terra. Quanto mais se desce para o humano, mais sua imagem se reduz, apagada, antropomorficamente diminuída, mas tornando-se compreensível, acessível e confortante - HH,XXV,19
10 - Se às vezes alguém nega a Deus é porque Deus existe e de Sua existência não existe prova maior do que essa negação. Não se pode conceber e negar o que não existe - NCTM, I, 17
11 - Para estarmos em comunhão com Deus também se torna necessário arder de entusiasmo e pregar, sofrer e intuir, desprender-se e amar - NCTM, VIII, 3
13 - A visão das grandes coisas de Deus escapa a quem olha de muito perto as pequenas coisas humanas - NCTM, IX, 7
14 - Todas as coisas se movem e se mantêm permanentemente vivas por causa dessa inexaurível fonte interior que se chama Deus, centro dinâmico e conceitual do universo - NCTM, XV, 3
15 - quando (o homem) se civilizou a ponto de a força não precisar mais obrigá-lo ao cumprimento da própria Lei, só então pode a Lei abrir-nos os braços e o Deus da vingança tornar-se o Deus do amor. Isso aconteceu primeiro com Cristo e acontece agora - NCTM, XIX, 12
16 - Temos necessidade não só de um Deus que é causa transcendental e longínqua, mas sobretudo deste Deus atual, imanente e presente.... Não é, nem pode ser, um pai inatingível, por si mesmo triunfante nos céus, colocado numa distância insuperável - NCTM, XXX, 15
17 - O homem não pode... definir Deus. Não o pode, porque o próprio conceito de definição pertence ao seu mundo finito, que não é o infinito, daí querer definir Deus, isto é, o infinito, se torna uma contradição e um absurdo - PF, XV, 4
18 - Nas suas definições, o homem não define Deus, mas a si mesmo - PF, XV, 5
19 - Chegar ao conceito de Deus significa haver resolvido o problema do conhecimento, dominar a visão do universo - PF, XV, 7
21 - Deus é, ainda, a alma que rege o atual universo, fundida nele, sempre aí presente e ativa, com uma criação contínua que chamamos evolução - PF, XV, 15
22 - O princípio da imanência nos diz que se do universo tirarmos Deus, resta um cadáver. Mas, o princípio da transcendência nos diz que, se Deus se desliga do seu universo, isto é, da sua atual forma de manifestação, Ele pode, todavia, se expressar em infinitos outros universos - PF, XV, 15
24 - como o pensamento humano passou da idéia politeísta a monoteísta, agora passa da monoteísta, isto é, a de um Deus só, mas distinto do Seu universo, à monista, em que Deus é tudo, também o universo - PF, XV, 26
26 - Antes da criação, Deus era o todo e perfeito, mas lhe faltava a explicação do amor. Ele estava sozinho - PF, XV, 30
27 - Se no Seu aspecto transcendente Ele é separável, independente da criação, imensamente distante de nós, no seu aspecto imanente, Ele está fundido e presente na criação, imensamente perto de nós - PF, XV, 32
29 - a manifestação de Deus é progressiva, proporcionada ao grau de evolução alcançado (pelo ser) - PF, XV, 32
30 - Criador e Criação devem formar uma só unidade porque qualquer cisão anularia essa unidade do todo - PF, XVI, 1
33 - também Deus é egoísta no seu universo. Mas o Seu egoísmo é tão altruisticamente amplo que compreende todas as criaturas - PF, XVI, 13
34 - havemos chegado racionalmente mais perto de Deus com o haver compreendido que Ele, na sua essência, é um incognoscível - PF, XX, 11
41 - Deus deixa ao homem a liberdade de amá-lo ou repudiá-lo. Não o constringe. Ele quer ser amado espontânea e livremente, não por coação, mas por compreensão - AH, XVIII, 7
44 - Conceber Deus com uma nova aproximação de precisão e profundidade; senti-lo presente, não mais vaga e instintivamente como na primordial fase pré-racional, mas ostentando todo o poder da fase racional, por tê-la atravessado, assimilado e superado; sentir Deus por intuição de fé confirmada e compreendida por consciência analítica e racional; usar o eu científico moderno, sem diminuí-lo, com toda a sua razão intacta, diante de Deus - esta é a grande orientação e conquista biológica do homem de amanhã - AH, XXIII, 8
47 - Em Deus, o egocentrismo representa um egoísmo tão amplo que abraça todas as criaturas, tudo o que existe, de modo a coincidir com o máximo altruísmo - DU, III, 7
50 - Deus, causa primeira sem causa, não tem princípio nem fim e tudo gera sem ter sido gerado. Deus simplesmente: "é", e tudo Ele "é", não encerrado no limite de nenhuma dimensão - DU,VIII,9
51 - se encarado do seio do nosso universo, Deus pode parecer à criatura como imanente ou como transcendente; não é exclusivamente imanente nem exclusivamente transcendente - DU, VIII, 12
53 - Deus, que se encontra em nosso íntimo, vive tão junto de nós, que partilha conosco as nossas alegrias (imanência), e sofre as nossas penas. A nossa inconsciência, treva do espírito, impede-nos perceber esta realidade. Basta, porém, o despertar da alma para se sentir invadida pela universal presença de Deus - DU, XIV, 19
57 - Caberia... ainda objetar: mas então o universo físico é o corpo de Deus? De novo respondemos: E que é o corpo para a alma, senão o seu veículo e meio de expressão? - DU, XVII, 15
59 - Deus não pode ser definido, porque no infinito Ele simplesmente "é". Deus significa existir. Ele é a essência da vida. Tudo o que existe é vida, isto é, Deus. E Deus é tudo o que existe, que é vida. Deus é o ser, sem atributos e sem limites - S, II, 10
60 - só sabemos conceber Deus como uma negação de tudo o que constitui nosso mundo - S, II, 12
62 - Chegamos... a um conceito de Deus que se avizinha da abstração a que está chegando a ciência moderna: um Deus inteligência e pensamento, um Deus-Lei, que tudo dirige de dentro dos fenômenos - S,VII,32
63 - Não é verdade que Deus possa tudo caprichosamente. Há coisas que Ele não pode fazer. Assim, por exemplo, Ele deve manter-se com as Suas qualidades, coerente com a Sua posição; não pode violar Sua Lei, porque renegaria a Si mesmo, e Ele não pode contradizer-se - S, XIV, 2
64 - Poder-se-ia dizer que o ateísmo representa uma das provas da existência de Deus. O ateísmo é uma negação que presume a afirmação, e que só em função dela pode existir. A negação presume e prova a afirmação... S, XVIII, 33 (é a negação que conduz à afirmação, e é a afirmação que implica a possibilidade da negação - id. 31)
65 - estamos imersos no pensamento de Deus como os peixes no mar, pois o pensamento de Deus é onipresente, penetra tudo e é ele que constitui o Sistema - S,"Conclusão",37
70 - Ele é causa e como tal não pode descer no terreno dos efeitos, mas somente manobrá-los da profundeza onde Ele está situado - GB,V,42
75 - é natural que o Deus fabricado para uso eclesiástico não possa ser universal, mas limita-se aos interesses do grupo (igreja) - TFLD,IV,12
77 - Deus é o todo. Se houvesse alguma coisa fora Dele, não seria mais Deus - TFLD, XIV, 1
85 - Uma concepção antropomórfica da divindade é necessária para as massas subdesenvolvidas que, para poder imaginá-la, precisam reduzi-la a seu nível mental - TFLD, "Conclusão”, 5
88 - O homem acabou criando para si um Deus à sua imagem e semelhança, conforme a sua forma mental e instintos - QS, V, 10
96 - Deus existe. Uma prova poderia ser a que nos é oferecida pelo materialismo ateu que O nega. Assim como a sombra implica a presença da luz, também a negação pressupõe a existência do que se nega. Só se pode afirmar a não existência daquilo que sabemos que existe - PNE, I, 1
97 - Deus está acima de toda a nossa afirmação ou negação - PNE,I,2
106 - o Deus de dimensões cósmicas que a ciência nos faz hoje entrever não pode ficar limitado a uma concepção antropomórfica, como querem algumas religiões - DI, IV, II, 53
107 -... é absurdo negar a existência de Deus... De uma coisa que verdadeiramente não existe, não se possui sequer a idéia, e quando se nega a existência, é porque essa coisa é conhecida, o que significa que ela existe. E quanto mais se nega a existência , tanto mais o próprio fato de negá-la prova que ela existe - DI,VI,2
115 - com Deus se fala sozinho, que o verdadeiro diálogo é feito somente com Ele, sem ministros intermediários, livre de qualquer opressão de consciência - DSC, VII, 27
123 - o conceito de Deus-Lei é muito mais avançado do que o atual de Deus antropomórfico, e oferece a vantagem de que com Ele não são admissíveis acomodações e hipocrisias - DSC, XII, 41
131 - Uma encarnação de Deus, isto é, de todo o S, num ser humano é coisa inimaginável - C, VIII, 6

Algumas Orientações Pertinentes de André Luiz


[Do livro Agenda Cristã, André Luiz/Chico Xavier]

PRINCÍPIOS REDENTORES

Não se esqueça de que Deus é o tema central de nossos destinos.

Deseje o bem dos outros, tanto quanto deseja o próprio bem.

Concorde imediatamente com os adversários.

Respeite a opinião dos vizinhos.
Evite contendas desagradáveis.

Empreste sem aguardar restituição.

Dê seu concurso às boas obras, com alegria.

Não se preocupe com os caluniadores. Agradeça ao inimigo pelo valor que ele lhe atribui.

Ajude as crianças.

Não desampare os velhos e doentes.

Pense em você, por último, em qualquer jogo de benefícios.

Desculpe sinceramente.

Não critique a ninguém.

Repare seus defeitos, antes de corrigir os alheios.

Use a fé e a prudência. Aprenda a semear, preparando boa ceifa. Não peça uvas ao espinheiro.

Liberte-se do peso de excessivas convenções.

Cultive a simplicidade.

Fale o menos possível, relativamente a você e a seus problemas.

Estimule as qualidades nobres dos companheiros.

Trabalhe no bem de todos.

Valorize o tempo.

Metodize o trabalho, sabendo que cada dia tem as suas obrigações.

Não se aflija.

Sirva a toda gente sem prender-se.

Seja alegre, justo e agradecido.

Jamais imponha seus pontos de vista.

Lembre-se de que o mundo não foi feito apenas para você.

*
As ciências sociais de hoje apresentam semelhantes princípios como novidades. No entanto, são antigos. Chegaram à Terra, com o Cristo, há quase vinte séculos. Nós outros, porém, espíritos atrasados no entendimento, somos ainda tardios na aplicação.

IRMÃOS EM PERIGO

Os que pretendem transformar o próximo, de um dia para outro, a golpes verbais.

Os que descobrem pareceres inteligentes e bons conselhos para todas as pessoas, distraídos dos problemas que lhes são próprios.

Os que colocam a mente em outro mundo, de maneira absoluta, sem atender aos deveres do mundo em que respiram.

Os que permanecem incessantemente preocupados em se defenderem.

Os que fazem dez projetos maravilhosos por dia sem concretizar nenhum deles em dez anos.

Os que reconhecem a grandeza das verdades divinas, mas que jamais dispõem de tempo para cultivá-las, em favor da própria iluminação.

Os que adiam indefinidamente para amanhã o serviço da compreensão e do amor ao próximo.

Os que se sentem senhores exclusivos de todos os trabalhos no campo da caridade, sem distribuir oportunidades de serviço aos outros.

Os que declaram perdoar a ofensa, mas que nunca conseguem esquecer o mal.

Os que encontram ensejo de se entediarem da vida.

LEMBRANÇAS ÚTEIS

Não viva pedindo orientação espiritual, indefinidamente. Se você já possui duas semanas de conhecimento cristão, sabe, à saciedade, o que fazer.

Não gaste suas energias, tentando consertar os outros de qualquer modo. Quando consertamos a nós mesmos, reconhecemos que o mundo está administrado pela Sabedoria Divina e que a obrigação de cooperar invariavelmente para o bem é nosso dever primordial.

Não acuse os Espíritos desencarnados sofredores, pelos seus fracassos na luta. Repare o ritmo da própria vida, examine a receita e a despesa, suas ações e reações, seus modos e atitudes, seus compromissos e determinações, e reconhecerá que você tem a situação que procura e colhe exatamente o que semeia.

Não recorra sistematicamente aos amigos espirituais, quanto a comezinhos deveres que lhe competem no caminho comum. Eles são igualmente ocupados, enfrentam problemas maiores que os seus, detêm responsabilidades mais graves e imediatas, e você, nas lutas vulgares da Terra, não teria coragem de pedir ao professor generoso e benevolente que desempenhasse funções de ama-seca.

Não espere a morte para solucionar as questões da vida, nem alegue enfermidade ou velhice para desistir de aprender, porque estamos excessivamente distantes do Céu. A sepultura não é uma cigana, cheia de promessas miraculosas, e sim uma porta mais larga de acesso à nossa própria consciência.

REALIDADES

O palhaço que você ironiza é, freqüentemente, valoroso soldado do bom ânimo.

A mulher, extremamente adornada, que você costuma desaprovar, em muitas ocasiões está procedendo assim para ajudar numerosas mãos que trabalham.

A cantora que baila sorrindo e da qual você comumente se afasta entediado, na suposição de conservar a virtude, geralmente procura ganhar o pão para muitos familiares necessitados, merecendo consideração e respeito.

O homem bem-posto, que lhe parece preguiçoso e inútil, talvez esteja realizando trabalhos que você jamais se animaria a executar.

Não julgue o próximo pelo guarda-roupa ou pela máscara. A verdade, como o Reino de Deus, nunca surge com aparências exteriores.

SUBA MAIS ALTO

Não lhe fira a calúnia. Viva de modo que ninguém possa acreditar no caluniador.

Não se atrase, em face da perturbação. Siga seu caminho, atendendo aos objetivos superiores da vida, porque os perturbadores são inumeráveis.

Não lhe doa a acusação indébita. Você pode realizar muitos planos valiosos, em contraposição aos acusadores gratuitos.

Não se incomode pela desconfiança descabida. Em qualquer lugar, você pode empregar a boa consciência no serviço honesto.

Não desanime, em razão da crítica. Se a censura é serviço cabível a qualquer um, a realização elevada é obra de poucos.

Não se aborreça em virtude de pareceres desfavoráveis. Se você permanece consagrado ao bem, a aprovação da própria consciência prepondera acima de qualquer opinião por mais respeitável.

SINAIS

Sua conversação dirá das diretrizes que você escolheu na vida.

Suas decisões, nas horas graves, identificam a posição real de seu espírito.

Seus gestos, na luta comum, falam de seu clima interior.

Seus impulsos definem a zona mental em que você prefere movimentar-se.

Seus pensamentos revelam suas companhias espirituais.

Suas leituras definem os seus sentimentos.

Seu trato pessoal com os outros esclarece até que ponto você tem progredido.

Suas solicitações lançam luz sobre os seus objetivos.

Suas opiniões revelam o verdadeiro lugar que você ocupa no mundo.

Seus dias são marcas no caminho evolutivo. Não se esqueça de que compactas assembléias de companheiros encarnados e desencarnados conhecem-lhe a personalidade e seguem-lhe a trajetória pelos sinais que você está fazendo.

LIBERTE SUA ALMA

Não se prenda à beleza das formas efêmeras. A flor passa breve.

Não amontoe preciosidades que pesem na balança do mundo. As correntes de ouro prendem tanto quanto as algemas de bronze.

Não se escravize às opiniões da leviandade ou da ignorância. Incitatus, o cavalo de Calígula, podia comer num balde enfeitado de pérolas, mas não deixava, por isso, de ser um cavalo.

Não alimente a avidez da posse. A casa dos numismatas vive repleta de moedas que serviram a milhões e cujos donos desapareceram.

Não perca sua independência construtiva a troco de considerações humanas. A armadilha que pune o animal criminoso é igual à que surpreende o canário negligente.

Não acredite no elogio que empresta a você qualidades imaginárias. Vespas cruéis por vezes se escondem no cálice do lírio.

Não se aflija pela aquisição de vantagens imediatas na experiência terrestre. Os museus permanecem abarrotados de mantos de reis e de outros “cadáveres de vantagens mortas”.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Encontro de Jesus e Maria de Nazaré

[Recorte da história “Maria”, ultimo capítulo do livro Boa Nova]

MARIA

[...]


Após a separação dos discípulos, que se dispersaram por lugares diferentes, para a difusão da Boa Nova, Maria retirou-se para a Batanéia , onde alguns parentes mais próximos a esperavam com especial carinho.
Os anos começaram a rolar, silenciosos e tristes, para a angustiada saudade de seu coração.
Tocada por grandes dissabores, observou que, em tempo rápido, as lembranças do filho amado se convertiam em elementos de ásperas discussões, entre os seus seguidores. Na Batanéia, pretendia-se manter uma certa aristocracia espiritual, por efeito dos laços consangüíneos que ali a prendiam, em virtude dos elos que a ligavam a José. Em Jerusalém, digladiavam-se os cristãos e os judeus, com veemência e acrimônia. Na Galiléia, os antigos cenáculos simples e amoráveis da Natureza estavam tristes e desertos.
Para aquela mãe amorosa, cuja alma digna observava que o vinho generoso de Caná se transformara no vinagre do martírio, o tempo assinalava sempre uma saudade maior no mundo e uma esperança cada vez mais elevada no céu.
Sua vida era uma devoção incessante ao rosário imenso da saudade, às lembranças mais queridas. Tudo que o passado feliz edificara em seu mundo interior revivia na tela de suas lembranças, com minúcias somente conhecidas do amor, e lhe alimentavam a seiva da vida.
Relembrava o seu Jesus pequenino, como naquela noite de beleza prodigiosa, em que o recebera nos braços maternais, iluminado pelo mais doce mistério. Figurava-se- -lhe escutar ainda o balido das ovelhas que vinham, apressadas acercar-se do berço que se formara de improviso. E aquele primeiro beijo, feito de carinho e de luz? As reminiscências envolviam a realidade longínqua de singulares belezas para o seu coração sensível e generoso. Em seguida, era o rio das recordações desaguando, sem cessar, na sua alma rica de sentimentalidade e ternura. Nazaré lhe voltava à imaginação, com as suas paisagens de felicidade e de luz. A casa singela, a fonte amiga, a sinceridade das afeições, o lago majestoso e, no meio de todos os detalhes, o filho adorado, trabalhando e amando, no erguimento da mais elevada concepção de Deus, entre os homens da Terra. De vez em quando, parecia vê-lo em seus sonhos repletos de esperança. Jesus lhe prometia o júbilo encantador de sua presença e participava da carícia de suas recordações.
A esse tempo, o filho de Zebedeu, tendo presentes as observações que o Mestre lhe fizera da cruz, surgiu na Batanéla, oferecendo àquele espírito saudoso de mãe o refúgio amoroso de sua proteção. Maria aceitou o oferecimento, com satisfação imensa.
E João lhe contou a sua nova vida. Instalara-se definitivamente em Éfeso, onde as idéias cristãs ganhavam terreno entre almas devotadas e sinceras. Nunca olvidara as recomendações do Senhor e, no íntimo, guardava aquele título de filiação como das mais altas expressões de amor universal para com aquela que recebera o Mestre nos braços veneráveis e carinhosos.
Maria escutava-lhe as confidências, num misto de reconhecimento e de ventura.
João continuava a expor-lhe os seus planos mais insignificantes. Levá-la-ia consigo, andariam ambos na mesma associação de interesses espirituais. Seria seu filho desvelado, enquanto receberia de sua alma generosa a ternura maternal, nos trabalhos do Evangelho. Demorara-se a vir, explicava o filho de Zebedeu, porque lhe faltava uma choupana, onde se pudessem abrigar; entretanto, um dos membros da família real de Adiabene, convertido ao amor do Cristo, lhe doara uma casinha pobre, ao sul de Éfeso, distando três léguas aproximadamente da cidade. A habitação simples e pobre demorava num promontório, de onde se avistava o mar. No alto da pequena colina, distante dos homens e no altar imponente da Natureza, se reuniriam ambos para cultivar a lembrança permanente de Jesus. Estabeleceriam um pouso e refúgio aos desamparados, ensinariam as verdades do Evangelho a todos os espíritos de boa-vontade e, como mãe e filho, iniciariam uma nova era de amor, na comunidade universal.
Maria aceitou alegremente.
Dentro de breve tempo, instalaram-se no seio amigo da Natureza, em frente do oceano. Éfeso ficava pouco distante; porém, todas as adjacências se povoavam de novos núcleos de habitações alegres e modestas. A casa de João, ao cabo de algumas semanas, se transformou num ponto de assembléias adoráveis, onde as recordações do Messias eram cultuadas por espíritos humildes e sinceros.
Maria externava as suas lembranças. Falava dele com maternal enternecimento, enquanto o apóstolo comentava as verdades evangélicas, apreciando os ensinos recebidos. Vezes inúmeras, a reunião somente terminava noite alta, quando as estrelas tinham maior brilho. E não foi só. Decorridos alguns meses, grandes fileiras de necessitados acorriam ao sitio singelo e generoso. A notícia de que Maria descansava, agora, entre eles, espalhara um clarão de esperança por todos os sofredores. Ao passo que João pregava na cidade as verdades de Deus, ela atendia, no pobre santuário doméstico, aos que a procuravam exibindo-lhe suas úlceras e necessidades.
Sua choupana era, então, conhecida pelo nome de “Casa da Santíssima”.
O fato tivera origem em certa ocasião, quando um miserável leproso, depois de aliviado em suas chagas, lhe osculou as mãos, reconhecidamente murmurando:
“Senhora, sois a mãe de nosso Mestre e nossa Mãe Santissima!”
A tradição criou raízes em todos os espíritos. Quem não lhe devia o favor de uma palavra maternal nos momentos mais duros? E João consolidava o conceito, acentuando que o mundo lhe seria eternamente grato, pois fora pela sua grandeza espiritual que o Emissário de Deus pudera penetrar a atmosfera escura e pestilenta do mundo para balsamizar os sofrimentos da críatura. Na sua humildade sincera, Maria se esquivava às homenagens afetuosas dos discípulos de Jesus, mas aquela confiança filial com que lhe reclamavam a presença era para sua alma um brando e delicioso tesouro do coração. O título de maternidade fazia vibrar em seu espírito os cânticos mais doces. Diariamente, acorriam os desamparados, suplicando a sua assistência espiritual. Eram velhos trôpegos e desenganados do mundo, que lhe vinham ouvir as palavras confortadoras e afetuosas, enfermos que invocavam a sua proteção, mães infortunadas que pediam a bênção de seu carinho.
“Minha mãe – dizia um dos mais aflitos – como poderei vencer as minhas dificuldades? Sinto-me abandonado na estrada escura da vida.”
Maria lhe enviava o olhar amoroso da sua bondade, deixando nele transparecer toda a dedicação enternecida de seu espírito maternal.
“Isso também passa! – dizia ela, carinhosamente – só o Reino de Deus é bastante forte para nunca passar de nossas almas, como eterna realização do amor celestial.”
Seus conceitos abrandavam a dor dos mais desesperados, desanuviavam o pensamento obscuro dos mais acabrunhados.
A igreja de Éfeso exigia de João a mais alta expressão de sacrifício pessoal, pelo que, com o decorrer do tempo, quase sempre Maria estava só, quando a legião humilde dos necessitados descia o promontório desataviado, rumo aos lares mais confortados e felizes. Os dias e as semanas, os meses e os anos passaram incessantes, trazendo-lhe as lembranças mais ternas. Quando sereno e azulado, o mar lhe fazia voltar à memória o Tiberíades distante. Surpreendia no ar aqueles perfumes vagos que enchiam a alma da tarde, quando seu filho, de quem nem um instante se esquecia, reunindo os discípulos amados, transmitia ao coração do povo as louçanias da Boa Nova. A velhice não lhe acarretara nem cansaços nem amarguras. A certeza da proteção divina lhe proporcionava ininterrupto consolo. Como quem transpõe o dia em labores honestos e proveitosos, seu coração experimentava grato repouso, iluminado pelo luar da esperança e pelas estrelas fulgurantes da crença imorredoura. Suas meditações eram suaves colóquios com as reminiscências do filho muito amado.
Súbito recebeu notícias de que um período de dolorosas perseguições se havia aberto para todos os que fossem fiéis à doutrina do seu Jesus divino. Alguns cristãos banidos de Roma traziam a Éfeso as tristes informações. Em obediência aos éditos mais injustos, escravizavam-se os seguidores do Cristo, destruíam-se-Ihes os lares, metiam-nos a ferros nas prisões. Falava-se de festas públicas, em que seus corpos eram dados como alimento a feras insaciáveis, em horrendos espetáculos.
Então, num crepúsculo estrelado, Maria entregou-se às orações, como de costume, pedindo a Deus por todos aqueles que se encontrassem em angústias do coração, por amor de seu filho.
Embora a soledade do ambiente, não se sentia só: uma como força singular lhe banhava a alma toda. Aragens suaves sopravam do oceano, espalhando os aromas da noite que se povoava de astros amigos e afetuosos e, em poucos minutos, a lua plena participava, igualmente, desse concerto de harmonia e de luz.
Enlevada nas suas meditações, Maria viu aproximar-se o vulto de um pedinte.
“Minha mãe – exclamou o recém-chegado, como tantos outros que recorriam ao seu carinho —, venho fazer-te companhia e receber a tua bênção.”
Maternalmente, ela o convidou a entrar, impressionada com aquela voz que lhe inspirava profunda simpatia. O peregrino lhe falou do céu, confortando-a delicadamente. Comentou as bem-aventuranças divinas que aguardam a todos os devotados e sinceros filhos de Deus, dando a entender que lhe compreendia as mais ternas saudades do coração. Maria sentiu-se empolgada por tocante surpresa. Que mendigo seria aquele que lhe acalmava as dores secretas da alma saudosa, com bálsamos tão dulçorosos?  Nenhum lhe surgira até então para dar; era sempre para pedir alguma coisa. No entanto, aquele viandante desconhecido lhe derramava no íntimo as mais santas consolações. Onde ouvira noutros tempos aquela voz meiga e carinhosa?! Que emoções eram aquelas que lhe faziam pulsar o coração de tanta carícia? Seus olhos se umedeceram de ventura, sem que conseguisse explicar a razão de sua terna emotividade.
Foi quando o hóspede anônimo lhe estendeu as mãos generosas e lhe falou com profundo acento de amor:
“Minha mãe, vem aos meus braços!”
Nesse instante, fitou as mãos nobres que se lhe ofereciam, num gesto da mais bela ternura. Tomada de comoção profunda, viu nelas duas chagas, como as que seu filho revelava na cruz e, instintivamente, dirigindo o olhar ansioso para os pés do peregrino amigo, divisou também aí as úlceras causadas pelos cravos do suplício. Não pôde mais. Compreendendo a visita amorosa que Deus lhe enviava ao coração, bradou com infinita alegria:
“Meu filho! meu filho! as úlceras que te fizeram!. . .”
 E precipitando-se para ele, como mãe carinhosa e desvelada, quis certificar-se, tocando a ferida que lhe fora produzida pelo último lançaço, perto do coração. Suas mãos ternas e solícitas o abraçaram na sombra visitada pelo luar, procurando sofregamente a úlcera que tantas lágrimas lhe provocara ao carinho maternal. A chaga lateral também lá estava, sob a carícia de suas mãos. Não conseguiu dominar o seu intenso júbilo. Num ímpeto de amor, fez um movimento para se ajoelhar. Queria abraçar-se aos pés do seu Jesus e osculá-los com ternura. Ele, porém, levantando-a, cercado de um halo de luz celestial, se lhe ajoelhou aos pés e, beijando-lhe as mãos, disse em carinhoso transporte:
“Sim, minha mãe, sou eu!... Venho buscar-te, pois meu Pai quer que sejas no meu reino a Rainha dos Anjos...
Maria cambaleou, tomada de inexprimível ventura. Queria dizer da sua felicidade, manifestar seu agradecimento a Deus; mas o corpo como que se lhe paralisara, enquanto aos seus ouvidos chegavam os ecos suaves da saudação do Anjo, qual se a entoassem mil vozes cariciosas, por entre as harmonias do céu.
No outro dia, dois portadores humildes desciam a Éfeso, de onde regressaram com João, para assistir aos últimos instantes daquela que lhes era a devotada Mãe Santíssima.
Maria já não falava. Numa inolvidável expressão de serenidade, por longas horas ainda esperou a ruptura dos derradeiros laços que a prendiam à vida material.
***
A alvorada desdobrava o seu formoso leque de luz quando aquela alma eleita se elevou da Terra, onde tantas vezes chorara de júbilo, de saudade e de esperança. Não mais via seu filho bem-amado, que certamente a esperaria, com as boas vindas, no seu reino de amor; mas, extensas multidões de entidades angélicas a cercavam cantando hinos de glorificação.
Experimentando a sensação de se estar afastando do mundo, desejou rever a Galiléia com os seus sítios preferidos. Bastou a manifestação de sua vontade para que a conduzissem à região do lago de Genesaré, de maravilhosa beleza. Reviu todos os quadros do apostolado de seu filho e, só agora, observando do alto a paisagem, notava que o Tiberíades, em seus contornos suaves, apresentava a forma quase perfeita de um alaúde. Lembrou-se, então, de que naquele instrumento da Natureza Jesus cantara o mais belo poema de vida e amor, em homenagem a Deus e à humanidade. Aquelas águas mansas, filhas do Jordão marulhoso e calmo, haviam sido as cordas sonoras do cântico evangélico.
Dulcíssimas alegrias lhe invadiam o coração e já a caravana espiritual se dispunha a partir, quando Maria se lembrou dos discípulos perseguidos pela crueldade do mundo e desejou abraçar os que ficariam no vale das sombras, à espera das claridades definitivas do Reino de Deus. Emitindo esse pensamento, imprimiu novo impulso às multidões espirituais que a seguiam de perto. Em poucos instantes, seu olhar divisava uma cidade soberba e maravilhosa, espalhada sobre colinas enfeitadas de carros e monumentos que lhe provocavam assombro. Os mármores mais ricos esplendiam nas magnificentes vias públicas, onde as liteiras patrícias passavam sem cessar, exibindo pedrarias e peles, sustentadas por misérrimos escravos. Mais alguns momentos e seu olhar descobria outra multidão guardada a ferros em escuros calabouços. Penetrou os sombrios cárceres do Esquilino, onde centenas de rostos amargurados retratavam padecimentos atrozes. Os condenados experimentaram no coração um consolo desconhecido.
Maria se aproximou de um a um, participou de suas angústias e orou com as suas preces, cheias de sofrimento e confiança. Sentiu-se mãe daquela assembléia de torturados pela injustiça do mundo. Espalhou a claridade misericordiosa de seu espírito entre aquelas fisionomias pálidas e tristes. Eram anciães que confiavam no Cristo, mulheres que por ele haviam desprezado o conforto do lar, jovens que depunham no Evangelho do Reino toda a sua esperança. Maria aliviou-lhes o coração e, antes de partir, sinceramente desejou deixar-lhes nos espíritos abatidos uma lembrança perene. Que possuía para lhes dar? Deveria suplicar a Deus para eles a liberdade?! Mas, Jesus ensinara que com ele todo jugo é suave e todo fardo seria leve, parecendo-lhe melhor a escravidão com Deus do que a falsa liberdade nos desvãos do mundo. Recordou que seu filho deixara a força da oração como um poder incontrastável entre os discípulos amados. Então, rogou ao Céu que lhe desse a possibilidade de deixar entre os cristãos oprimidos a força da alegria. Foi quando, aproximando-se de uma jovem encarcerada, de rosto descarnado e macilento, lhe disse ao ouvido:
“Canta, minha filha! Tenhamos bom ânimo!... Convertamos as nossas dores da Terra em alegrias para o Céu!..”
A triste prisioneira nunca saberia compreender o porquê da emotividade que lhe fez vibrar subitamente o coração. De olhos extáticos, contemplando o firmamento luminoso, através das grades poderosas, ignorando a razão de sua alegria, cantou um hino de profundo e enternecido amor a Jesus, em que traduzia sua gratidão pelas dores que lhe eram enviadas, transformando todas as suas amarguras em consoladoras rimas de júbilo e esperança. Daí a instantes, seu canto melodioso era acompanhado pelas centenas de vozes dos que choravam no cárcere, aguardando o glorioso testemunho.
Logo, a caravana majestosa conduziu ao Reino do Mestre a bendita entre as mulheres e, desde esse dia, nos tormentos mais duros, os discípulos de Jesus têm cantado na Terra, exprimindo o seu bom ânimo e a sua alegria, guardando a suave herança de nossa Mãe Santíssima.

***************

Por essa razão, irmãos meus, quando ouvirdes o cântico nos templos das diversas famílias religiosas do Cristianismo, não vos esqueçais de fazer no coração um brando silêncio, para que a Rosa Mística de Nazaré espalhe aí o seu perfume!


[Humberto de Campos/Chico Xavier, Boa Nova)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Discursos pronunciados nas reuniões gerais dos espíritas de Lyon e Bordeaux


[Aqui pegamos somente um fragmento deste discurso que não altera o sentido geral das palavras do codificador. O nosso objetivo é ressaltar o Homem de Bem e os Verdadeiros Espíritas como Kardec mostra em sua fala.]


Discurso I

O homem que pratica o bem – isto dito em tese geral – deve, pois, preparar-se para se ferir na ingratidão, para ter contra ele aqueles que, não o praticando, são ciumentos da estima concedida aos que o praticam. Os primeiros, não se sentindo dotados de força para se elevarem, procuram rebaixar os outros ao seu nível, obstinam-se em anular, pela maledicência ou a calúnia, aqueles que os ofuscam. Ouve-se constantemente dizer que a ingratidão com que somos pagos endurece o nosso coração e nos torna egoístas. Falar assim é provar que se tem o coração fácil de ser endurecido, uma vez que esse temor não poderia deter o homem verdadeiramente bom. O reconhecimento é já uma remuneração pelo bem que se faz; praticá-lo tendo em vista essa remuneração é fazê-lo por interesse. Por outro lado, quem sabe se aquele que beneficiamos, e do qual nada esperamos, não será estimulado a mais elevados sentimentos por um reto proceder? Esse pode ser, talvez, um meio de levá-lo a refletir, de suavizar sua alma, de salvá-lo! Essa esperança constitui uma nobre ambição. Se nos inferiorizarmos não realizaremos o que nos compete realizar.

[...]

Pondo de lado qualquer questão pessoal, tenho adversários naturais nos inimigos do Espiritismo. Não cogiteis que melamente! Longe disso! Quanto maior é a animosidade deles, melhor se comprova a importância que a Doutrina Espírita assume aos seus olhos. Se se tratasse de algo sem conseqüências, uma dessas utopias que já nascem inviáveis, não lhe prestariam atenção. Não tendes visto escritos vazados em um tom de hostilidade que não se encontra nos meus – quanto à ideologia –, e nos quais as expressões não são mais parcimoniosas do que o atrevimento dos pensamentos? Contra eles, todavia, não enunciam uma única palavra! O mesmo se daria se as doutrinas que luto por difundir permanecessem circunscritas às páginas de um livro. Entretanto – o que pode parecer mais espantoso –, o fato é que tenho adversários mesmo entre os adeptos do Espiritismo. Ora, nesta área é que uma explicação se torna necessária. Entre os que adotam as idéias espíritas há, como bem sabeis, três categorias bem distintas:

   1)      os que crêem pura e simplesmente nos fenômenos das manifestações, mas que deles não deduzem qualquer conseqüência moral;

    2)      os que percebem o alcance moral, mas o aplicam aos outros e não a si mesmos;

    3)      os que aceitam pessoalmente todas as conseqüências da doutrina e que praticam ou se esforçam por praticar sua moral.

Estes últimos, vós bem o sabeis, são os espíritas praticantes, os verdadeiros espíritas. Essa distinção é importante, pois que bem explica as anomalias aparentes. Sem isso seria difícil compreendermos as atitudes de determinadas pessoas. Ora, o que preceitua essa moral? Amai-vos uns aos outros; perdoai os vossos inimigos; retribuí o bem ao mal; não tenhais ira, nem rancor, nem animosidade, nem inveja, nem ciúme; sede severos para convosco mesmos e indulgentes para com os outros. Tais devem ser os sentimentos do verdadeiro espírita, aquele que se atém ao fundo e não à forma, que coloca o espírito acima da matéria. Ele pode ter inimigos, mas não é inimigo de ninguém, pois que não deseja o mal a quem quer que seja e, com maiores razões, não procura fazer o mal a ninguém. Esse, como vede, senhores, é um princípio geral, do qual toda a gente pode beneficiar-se. Se, pois, tenho inimigos, eles não podem ser contados entre os espíritas dessa categoria, pois que, admitindo que tivessem motivos legítimos de queixa contra mim, o que me esforço por evitar, esse não seria um motivo para me odiarem e, com melhores razões se nunca lhes fiz qualquer mal. O Espiritismo tem por divisa: Fora da caridade não há salvação, o que equivale dizer: Fora da caridade não pode existir verdadeiros espíritas. Solicito-vos inscrever, daqui para a frente, essa divisa em vossas bandeiras, pois que ela resume ao mesmo tempo a finalidade do Espiritismo e o dever que ele impõe. Estando, pois, admitido que não se pode ser um bom espírita com sentimentos de rancor no coração, eu me orgulho de contar apenas com amigos entre estes últimos, pois que, se eu tiver defeitos, eles saberão desculpá-los. Veremos, em seguida, a que imensas e férteis conseqüências conduz esse princípio.


(Allan Kardec, Viagem Espírita em 1862)

VÍNCULOS FRATERNAIS – MENSAGEM AOS MOÇOS

Jovens amigos:

Com o Espírito engrinaldado de esperanças, saúdo na exuberância de sua mocidade as primícias do
mundo de amanhã.

Não é à toa que vocês florescem, no esplendor da força e da idade, no exato momento em que
nossa decrépita civilização agoniza em lágrimas e sangue na formidável debacle dos mais nobres idéias da fraternidade e da justiça, melancolicamente afogados nos lamaçais do egoísmo e da cobiça.

Ante o orbe conturbado, que se debate no cipoal de contradições em que imergiu, são vocês, meus jovens irmãos, a sublime promessa de salvação que se levanta.

O mundo espera por vocês, o futuro lhes pertence.

Preparem-se para a gloriosa missão que lhes compete.

Arrimem-se na fé, robusteçam-se mentalmente e repletem de amor seus corações, para a gigantesca batalha que os aguarda.

Estará em suas mãos poderosas e dignas a construção do novo milênio que vai abrir-se nos horizontes da Terra.

É a vocês que cumprirá extirpar deste planeta as raízes do crime, exorcizar os fantasmas da guerra e do racismo, libertar as religiões das amarras dogmáticas, eliminar os bolsões aviltantes da miséria, extinguir a corrupção dos costumes, enobrecer a política e dignificar o direito.

Se o Cristo Planetário enviou vocês a este plano da vida, renovando-lhes as possibilidades nesta hora decisiva dos destinos humanos, é porque acredita na sua coragem e no seu idealismo, na sua energia e na sua fé.

Avante, pois!

A graça de Deus os acompanha e os protege. E o meu coração, como sempre, os abraça e os abençoa.

Áureo

(Do livro Amar e Servir, psicografia de Hernani Trindade Sant'Anna. Diversos Espíritos)

Juventude Espírita-Cristã, é tempo de agir...


MENSAGEM 01: a todos os trabalhadores

[Repassamos uma linda mensagem do doutor Bezerra, transmitida no 8º ComCentro em Goiânia, GO, para relembrar o valor do trabalho da juventude  nestes momentos de transição. Leiamos e vamos refletir sobre estes maravilhosos ensinamentos].

Enquanto louca e devastadora tempestade lá fora tenta aniquilar os sentimentos mais nobres da juventude incipiente, cá dentro, novas esperanças ressurgem trazendo ao coração juvenil a aurora de um novo mundo, de um novo dia em que não mais farão parte da lembrança dos homens as dores e as tristezas, todas filhas do egoísmo que degrada a humanidade.

Novos conceitos florescem no solo propício da juventude que será o gentio do amanhã, amparando com justiça e amor a humanidade da qual faz parte. Entretanto urge não esquecermos nossa parcela individual em todo movimento.

É imperioso não esquecer que nossos sentimentos mais ultrapassados, em relembrando a necessidade da renovação, sejam todos expurgados de uma vez, de todos nós.

Não mais as invejas tão destrutivas, não mais as ilusões dos prazeres terra a terra, onde a responsabilidade fica a mercê da sorte, estabelecendo a indisciplina destrutiva dos corações mais preciosos ainda em fase nascente.

É imperioso lembrar que Jesus iniciou sua tarefa de amor por todos nós a mais de dois mil anos.

Sim, muito antes de manifestar-se no verbo do amor na vestimenta da “carne”, expressava sua tarefa através de todas as escrituras sagradas e profetas que eram nada mais que sua equipe de amor.

Sim, Ele antes, durante as terras da Galiléia, continua até os nossos dias a trabalhar incessantemente para que a obra perfeita do Pai, vitorie.

E nós pequenos tarefeiros, que pela misericórdia do Senhor, podemos colaborar nesta obra, para que a humanidade ainda jovem reluza seu amor, não poderemos jamais esquecer que o bem apenas principia.

Muitos foram os jovens da esfera do espírito, que em caravanas numerosas aportaram bem cedo para ver o esforço contínuo; os sacrifícios, as renúncias e o sublime exercício da caridade cristã para que em futuro bem próximo, reencarnados possam se revestir do amor e se alimentarem do Evangelho, angariando a força para que novas e novas gerações brasileiras possam vitoriar na Pátria do Evangelho.

Queridos filhos, sempre busquem relembrar que a tarefa do espiritismo cristão reveste-se de sublime programa traçado nos páramos celestes, afim que a Terra do Cruzeiro possa cumprir com suas obrigações na colaboração de um mundo cristianizado.

Primeiramente em suas manifestações nas terras do Iluminismo, para ser transplantada para o solo simples e humilde do Brasil. Movimento em que Jesus com as benesses estabelece a Ismael a condução do programa.

E hoje todos nós nos encontramos frente a frente, com a oportunidade de continuarmos o trabalho.

Tenhamos fé, confiança no amparo maior e sigamos à frente lembrando que de tudo, o bem floresce.

De cada lágrima o sorriso manifesta-se depois, antecedendo a alegria infinita em nossas almas.

Que nossa doce virgem mãe, nos ampare, nos encoraje e ilumine sempre.


                              Do amigo,
   
                                        Bezerra

                                              (8º Comcentro - 08/09/2012)

domingo, 21 de outubro de 2012

Kardec explica a Doutrina Espírita I

I N T R O D U Ç Ã O AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA

Introdução do Livro dos Espíritos

I

Para se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras. Os vocábulos espiritual, espiritualista, espiritualismo têm acepção bem definida. Dar lhes outra, para aplicá-los à doutrina dos Espíritos, fora multiplicar as causas já numerosas de anfibologia. Com efeito, o espiritismo é o oposto do materialismo. Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista. Não se segue daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, empregamos, para indicar a crença a que vimos de referir-nos, os termos espírita e espiritismo, cuja forma lembra a origem e o sentido radical e que, por isso mesmo, apresentam a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando ao vocábulo espiritualismo a acepção que lhe é própria. Diremos, pois, que a doutrina espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se quiserem, os espiritistas.
Como especialidade, o Livro dos Espíritos contém a doutrina espírita; como generalidade, prende-se à doutrina espiritualista, uma de cujas fases apresenta. Essa a razão porque traz no cabeçalho do seu título as palavras: Filosofia espiritualista.

[...]

VI
Conforme notamos acima, os próprios seres que se comunicam se designam a si mesmos pelo nome de Espíritos ou Gênios, declarando, alguns, pelo menos, terem pertencido a homens que viveram na Terra. Eles compõem o mundo espiritual, como nós constituímos o mundo corporal durante a vida terrena.
Vamos resumir, em poucas palavras, os pontos principais da doutrina que nos transmitiram, a fim de mais facilmente respondermos a certas objeções
Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.
Criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.
Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.
O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.
O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.
Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte lhes restitui a liberdade.
Entre as diferentes espécies de seres corpóreo, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe superioridade moral e intelectual sobre as outras.
“A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.
Há no homem três coisas: 1°, o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2°, a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo; 3°, o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.
Tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.
O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial.
A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições.
O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato.
Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos ou puros Espíritos. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria eivados das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal. Há também, entre os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito mais, antes perturbadores e enredadores, do que perversos. A malícia e as inconseqüências parecem ser o que neles predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos.
Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral. Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em estado de Espírito errante.(1)
Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, quer em outros mundos.
A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar-se que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um animal.
As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca regressivas; mas, a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à perfeição.
As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito impuro.
A alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se haver separado do corpo.
Na sua volta ao mundo dos Espíritos, encontra ela todos aqueles que conhecera na Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança de todo bem e de todo mal que fez.
O Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o homem que vence esta influência, pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em cuja companhia um dia estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.
Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo.
Os não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo.
É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós. Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo.
As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos e assemelhar-nos a eles.
As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia.
Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumentos.
Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação.
Podem evocar-se todos os Espíritos: os que animaram homens obscuros, como os das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os de nossos parentes, amigos, ou inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, sobre o que pensam a nosso respeito, assim como as revelações que lhes sejam permitidas fazer-nos.
Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos.
Longe de se obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem esperar futilidades, mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes tomam nomes venerados, a fim de melhor induzirem ao erro.
Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade. A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconseqüente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e se divertem à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falazes esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na mais ampla acepção do termo, só são dadas nos centros sérios, onde intima comunhão de pensamentos, tendo em vista o bem.
A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações.
Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas, que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra.
Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conformemente aos seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final.
Este o resumo da Doutrina Espírita, como resulta dos ensinamentos dados pelos Espíritos superiores. Vejamos agora as objeções que se lhe contrapõem.
_________
(1) Há entre esta doutrina da reencarnação e a da metempsicose, como a admitem certas seitas, uma diferença característica, que é explicada no curso da presente obra.